domingo, 31 de agosto de 2014

Contos de Amor e Crime: Um Romance Violento - Resenha

Até que ponto você é sincero com você mesmo sobre os seus conceitos ou “pré-conceitos”?!


O livro “Contos de Amor e Crime: Um Romance Violento” do escritor Afobório, como ele próprio afirma, é um tapa na cara da sociedade. Já na primeira frase do livro, pode-se ter uma ideia de quão intensa será a leitura:

“Eu senti e ainda sinto muita raiva!” (pág. 13)


Quando Jozz (um negro, bandido) decidiu compartilhar sua história conosco (leitores), sabia exatamente o que estava fazendo. Ao se deparar com um escritor (branco) interessado em transformar a sua experiência de vida num livro, Jozz não hesitou, pois via a oportunidade de expor seu ponto de vista sobre alguns assuntos que, infelizmente, a maioria de nós costuma varrer para debaixo do tapete.

“Vesti minha balaclava e colei nele; calcei a pistola na segunda costela do idiota e disparei.” (pág. 26)

Através da sua história, Jozz nos conduz a uma realidade muitas vezes cruel. Poucas vezes paramos para pensar no que de fato a vida representa para pessoas cujas oportunidades são bem diferentes das nossas. Garotos negros que nascem e crescem em comunidades pobres, cercadas de drogas, violência e prostituição. Conscientes ou não, temos um discurso pronto e afirmamos que não somos racistas; que não temos preconceito social; que acreditamos num futuro melhor para todos; que se o “faveladinho” estudasse, também seria bem sucedido na vida. Mas será que as oportunidades são realmente as mesmas para todos?

“Acredito que todo homem morre um pouco por dia, enquanto briga para continuar vivo. Mas eu ainda penso que é melhor morrer de bala do que de fome (...)” (pág. 45)


Com uma narrativa direta e franca, o autor aborda (de forma impecável) os temas que a sociedade e a classe política apenas fingem discutir. Afobório nos abre os olhos para a realidade daqueles que estão fadados à marginalidade, na maioria das vezes, por pura falta de opção, afinal, quais são as chances de um cidadão negro e favelado se dar bem na vida?

“Era uma pequena ainda indefesa nesse mundo cão. Perguntei: “Quantos anos você tem?”. Ela esticou os dedinhos apontando quatro. Achei aquilo sensacional. Correu uma lágrima dos meus olhos.” (pág. 65)

Vingança, prostituição, drogas, traição, são alguns elementos que transformam “Contos de Amor e Crime” numa granada (sem o pino) na sua mão, prestes a explodir. E com um pouco de sorte, essa granada vai explodir e te tirar da inércia da hipocrisia e da ignorância. Um livro indispensável para quem se propões a “abrir os olhos” e repensar seus conceitos.

“Felicidade é uma coisa importante na vida das pessoas. E a favela se faz feliz na dificuldade.” (pág. 103)

Prepare-se para ler “Contos de Amor e Crime: Um Romance Violento”, pois você pode até duvidar, mas existe outro mundo além do nosso “mundinho”.


Contos de Amor e Crime
ISBN: 978-85-67366-6
Autor: Afobório
Editora: Os Dez Melhores
Páginas: 122
Adquira seu exemplar direto com o autor

sábado, 30 de agosto de 2014

A Outra Sombra - Resenha blog Garora Reading

Olá, leitores ;)

O livro A Outra Sombra acaba de receber mais uma resenha. Veja abaixo um trecho da resenha feita pela Luana (Blog Garota Reading). Vale a pena conferir!



(...) O livro me fez sentir meio estranha, uma coisa que eu nunca havia sentido lendo outro livro (sem contar A Culpa é das Estrelas), mas uma hora eu ficava com raiva e acabei me apegando aos personagens e não queria saber o fim, pois tinha um pressentimento ruim, vou confessar que chorei em algumas historia, e sim, eu sou chorona hehe (...).

Confira a resenha completa aqui!

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Bruce Springsteen lança livro 'infantil para adultos'


Bruce Springsteen acaba de se juntar ao grupo cada vez maior de roqueiros (entre eles Keith Richards e três dos Beatles) que escreveram livros infantis — ou, ao menos, é o que parece. "Outlaw Pete" ("Pete fora-da-lei"), baseado em sua canção homônima de 2009, será lançado em 4 de novembro pela Simon & Schuster e é tratado pela editora como "um livros para adultos" que pode ser lido por crianças.

O livro segue o estilo das publicações para crianças, com ilustrações, histórias curtas e lições de moral. Apesar disso, a editora não considera o título um livro infantil.

"É um livro para quem ama uma história de faroeste. É para todas as idades", garantiu nesta quinta-feira Jonathan Karp, presidente do grupo. "Obviamente, a canção que inspira o livro é para adultos. Tem uma sensibilidade adulta, assim como o livro. É irônico, arrebatador e majestoso, como as canções de Springsteen. Definitivamente não é infantil, mas tenho lido o livro para meus filhos, assim como alguns colegas têm feito com os seus."

Ele aproveitou e explicou brevemente ao que o título se refere.

"'Pete fora-da-lei' é essencialmente um personagem de Bruce Springsteen, falando sobre destino. É um bebê que assalta bancos e se arrepende das coisas que faz, mas, como a canção diz, 'não se pode desfazer o que foi feito.'"

De acordo com a Simon & Schuster, a ideia do livro nasceu do ilustrador Frank Caruso, que convidou Springsteen a fazer o texto. Karp garantiu ainda que, assim que recebeu o original, fez uma oferta.

"Outlaw Pete" foi lançada como a canção que abre o álbum "Working on a dream", de 2009. Springsteen chegou a ser acusado de plágio por conta de semelhanças musicais com o clássico "I was made for lovin' you", do Kiss. Apesar das semelhanças, "The boss" não foi processado.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Vencedor do Pulitzer, romance "O Pintassilgo" chega ao Brasil


A escritora americana Donna Tartt, que volta
 ao romance após dez anos de hiato

Tal como um terremoto, Donna Tartt faz a terra tremer de tempos em tempos. 

Mais exatamente de dez em dez anos, a escritora americana, 50, publica um romance que faz sensação entre críticos literários e leitores de diversos países.

O terceiro livro da autora chega agora ao Brasil, depois de alcançar o topo da escala Richter nos EUA. “O Pintassilgo” venceu o prêmio Pulitzer de ficção, um dos principais em língua inglesa; está há mais de 40 semanas na lista de best-sellers do “New York Times”; vendeu mais de 1,5 milhão de exemplares; foi publicado em 28 línguas; será adaptado para o cinema pelo estúdio Warner Bros.

“O Pintassilgo” começa em um hotel de Amsterdã, onde o protagonista, Theo Decker, está escondido, delirando de febre e lendo notícias sobre seus crimes. A vida de Theo virou de ponta cabeça 14 anos antes, quando ele, ainda garoto, perdeu a mãe em uma explosão no Metropolitan Museum de Nova York.

Depois da tragédia, Theo passa por uma sucessão sem fim de infortúnios, envolvendo o mercado negro de arte, drogas, perseguições. Alguns fatos parecem estapafúrdios, mas a narração rica e empolgante prende o leitor até o fim do caudaloso romance (são mais de 700 páginas).

Fonte: Folha de São Paulo (Matéria completa aqui)

terça-feira, 26 de agosto de 2014

‘Vivemos a era de ouro da ficção de crime’, diz Harlan Coben


Um dos principais best-sellers de mistério da atualidade, o americano Harlan Coben, que atraiu centenas de fãs para a Bienal do Livro de São Paulo no fim de semana, lança seu 16º romance no Brasil, “Seis anos depois”, pela Sextante.

Coben é um gigante literal e metaforicamente. Com quase 2 metros de altura, ele acaba de bater a marca de 1 milhão de livros vendidos no país. As estatísticas viraram gente, na manhã de anteontem, quando ele falou na Bienal para uma pequena multidão sobre a nova obra. Nela, o protagonista vai atrás da mulher que o deixou para casar com outro e descobre que o casamento havia sido uma farsa. Ele vai buscá-la, sem imaginar os perigos do ato. Em entrevista ao GLOBO, Harlan Coben fala da dificuldade de classificar a nova trama, conta por que não gosta de escrever histórias de serial killers e comenta as últimas polêmicas do meio literário.


Embora classificados como policiais, seus livros não têm crimes ou conspirações. Por quê?

Acho que chamam assim porque é preciso classificar o livro. “Seis anos depois” é mais uma história de amor que uma ficção de crime. Não me interesso por conspirações políticas ou serial killers. Prefiro histórias com as quais o leitor possa se identificar.

Com uma tradição tão longa, é possível manter o frescor da ficção policial?

Agatha Christie e Elmore Leonard escrevem ficção de crime e não são nada parecidos. Grandes autores tinham crimes em seus livros: Dostoiévski, Dumas, Dickens, entre outros. Mas acho que vivemos a era de ouro da ficção de crime. Ela nunca foi feita tão bem e com tanta variedade. Há autores homens, mulheres, americanos, britânicos, escandinavos... E temos que trabalhar duro para manter o frescor do gênero. Não pelo que foi escrito no passado, mas porque hoje competimos com outras mídias.

A Amazon e a editora Hachette têm brigado pelas condições comerciais de vendas de livros. Alguns autores se organizaram para apoiar a editora. Qual a sua posição nessa polêmica?

Sentar e esperar. Virei escritor porque não queria ir para um escritório, pensar em negócios, números. Sei que, quanto melhor eu escrever, melhor estarão meus livros (no mercado), porque as pessoas vão lê-los no papel, na tela ou numa tábua de pedra como a de Moisés. Não me sinto qualificado para me meter no assunto.

Hoje há o fenômeno da autopublicação. Você precisa de editor?

É isso que eu não entendo nessa polêmica. Se você quer se autopublicar, faça-o. Se você acha que os escritores estão sendo vilipendiados (pelas editoras), faça-o. Eu gosto de ter editor e não estou tentando convencer ninguém a ir para a minha editora. Não sei por que os outros se importam com quanto eu ou o Nicholas Sparks estamos cobrando pelos nossos livros. Faça seu livro e preocupe-se em como publicá-lo, não como eu publico os meus.

Você passou a escrever livros no gênero “jovens adultos”, que costuma ser criticado por falta de complexidade literária. O que você diria aos críticos?

Não leia. Tem uma resenha de um livro meu na Amazon que diz: “Esse livro deveria estar numa biblioteca de ensino médio”. Sim, deveria!

E sobre as críticas de que falta riqueza narrativa nesses livros?

Isso não faz sentido. Meu livro infantojuvenil é mais curto, mas provavelmente é mais sombrio que qualquer livro adulto que eu tenha escrito.

Você não deve mais precisar vir para eventos como a Bienal para vender livros. Por que vir?

Ajuda a vender o livro. E, se viajar é cansativo, é ótimo encontrar os leitores. Se há escritores que se sentem acima disso, só posso lamentar.

A ficção de mistério exige grande técnica. Você não comete erros?

Em um livro meu, um personagem costuma pentear o cabelo para a direita, no começo do livro, e depois para a esquerda, no fim dele. Com a internet, se você comete algo assim, você será avisado. Não gosto, mas não me preocupo muito. 

Fonte: O Globo (Matéria original aqui)

sábado, 23 de agosto de 2014

Estante Virtual oferece livros de Jorge Amado a preços populares

Em homenagem ao mês do escritor baiano, livraria online abre uma seção especial com suas obras; Há livros a partir de R$ 2


Para incentivar a leitura e celebrar a memória do escritor baiano Jorge Amado (Itabuna, 10 de agosto de 1912 — Salvador, 6 de agosto de 2001), a livraria online Estante Virtual abriu uma seção especial que, durante todo o mês de agosto, oferece as obras do autor com preços bastantes acessíveis: a partir de R$ 2. Entre as opções estão clássicos do acervo literário de Jorge, além de títulos pouco conhecidos e até raridades, a exemplo do álbum de autógrafos do ano de 1947, que traz textos manuscritos e autografados por ele e outros autores, a exemplo de Carlos Marighella. São 18 mil exemplares do autor disponíveis para os leitores. 

Jorge Leal Amado de Faria foi um dos autores mais importantes da literatura baiana e nacional. Um dos grandes representantes da intelectualidade comunista brasileira, que retratou como nenhum outro as peculiaridades do povo baiano e a magia da Bahia. Teve sua obra agraciada pelo Prêmio Camões, em 1994, e também recebeu muitos outros prêmios e títulos, ao longo da carreira. Seu maior reconhecimento, no entanto, veio dos leitores. Seus 49 livros sempre foram recordes de venda, ultrapassado apenas por Paulo Coelho. 

Suas histórias também ganharam versões para o cinema, teatro e televisão, a exemplo de 'Dona Flor e Seus Dois Maridos', 'Tenda dos Milagres', 'Tieta do Agreste', 'Gabriela - Cravo e Canela' e 'Teresa Batista Cansada de Guerra'. Até enredo de escola de samba sua obra virou. Tudo isso sem contar no número de traduções surpreendentes: 55 países e 49 idiomas, além do braille e versões gravadas para cegos.    

Em Salvador, seguem os preparativos para a instalação do Memorial Jorge Amado, que vai funcionar na Casa 33 da Rua Alagoinhas, no Rio Vermelho, onde viveu longos anos de criatividade e amor ao lado de Zélia Gattai.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

12 dicas para escritores iniciantes por George R. R. Martin

A época dessa entrevista em Novembro de 2013, George R.R. Martin esteve em Sydney no Opera House, para comentar mais uma vez sobre As Crônicas de Gelo e Fogo e aproveitou para dar algumas dicas para quem quer se aventurar pela escrita de fantasia, baseado em sua própria experiência. Mesclamos isso a algumas dicas tiradas da seção de perguntas frequentes do site oficial de Martin. Então abaixo seguem os doze mandamentos do Rei (olha a heresia) dos escritores de Fantasia da atualidade.


Ler e Escrever, sempre
Eu acho que, a coisa mais importante para qualquer aspirante a escritor, é ler. E não somente o tipo de coisa que você está tentando escrever, pode ser fantasia, ficção cientifica, quadrinhos, qualquer tipo de literatura. Você precisa ler de tudo. Leia a história, ficção histórica, biografias, leia novelas de mistério, fantasia, ficção cientifica, horror, os sucessos, literatura clássica, erótica, aventura, sátira. Cada escritor vai ter algo para ensinar a você, seja bom ou ruim. (E sim, você pode aprender com livros ruins também – o que não fazer).

E escrever. Escreva todos os dias, mesmo que seja uma página ou duas. Quanto mais você escrever, melhor nisso você será. Mas não escreva no meu universo, no de Tolkein, no universo Marvel, de Star Trek ou em qualquer outro que você pegue emprestado. Cada escritor precisa aprender a criar seus próprios personagens, mundos e configurações. Usar o mundo de outro é o método preguiçoso. Se você não exercitar esses “músculos literários”, você nunca vai desenvolvê-los.

Comece aos poucos
Dada a realidade do mercado de ficção cientifica e fantasia atual, eu sugiro também que qualquer aspirante a escritor comece com histórias curtas, contos. Hoje me dia eu vejo muitos escritores novos tentando começar de cara com uma novela ou uma trilogia, ou até mesmo com uma série de nove livros. É como começar a escalar de cara pelo Monte Everest. Histórias curtas vão ajuda-lo a aprender seu ofício. Elas são o lugar certo para cometer os erros que todo escritor iniciante vai cometer. E são ainda o melhor caminho para um escritor iniciante aparecer, já que as revistas e coletâneas de contos estão sempre procurando por contos de fantasia e ficção cientifica. Uma vez que você tiver vendido esses contos por uns cinco anos, você terá construído seu nome e editores irão começar a lhe perguntar sobre seu primeiro romance.

Não há problema em pegar “emprestado” da História
Embora minha história seja de fantasia, é fortemente baseada em história medieval real. A Guerra das Rosas, que foi sobre os Yorks e os Lancaster ao invés dos Stark e dos Lannister, foi uma das maiores influências. Mas eu gosto de misturar e combinar e mover coisas ao redor. Como diz um famoso ditado, roubar de uma só fonte é plágio, mas roubar de muitas fontes é pesquisa!

Não limite a sua imaginação
Eu sabia desde o começo que eu queria uma história grande e complexa. Antes d’As Crônicas de Gelo e Fogo eu trabalhei na televisão por dez anos e sempre me deparava com um script de uma cena comum que eu escrevia, mas me diziam “George , isso é ótimo , mas é muito grande e caro, você precisa cortar algumas coisas. Você tem 126 personagens e só temos orçamento para seis”.

Quando eu voltei para a literatura, de repente não havia limites: Eu poderia escrever algo enorme, com todos os personagens que eu queria, com batalhas, dragões e imensos detalhes. Claro, eu pensei que isso seria infilmável e que eu nunca teria que me preocupar com Hollywood novamente. Mas isso é problema de David Benioff e Dan Weiss agora [produtores de TV de Game of Thrones].


Escolha os seus personagens com ponto-de-vista de forma a ampliar a narrativa
Minha história é essencialmente sobre um mundo em guerra. Ela começa muito pequena, com todo mundo no castelo de Winterfell, exceto Daenerys. É um foco muito apertado, e em seguida, conforme os personagens se separaram, cada personagem encontra mais pessoas e POVs adicionais entram em foco.

É como se você estivesse tentando fazer um romance da 2ª Guerra Mundial: você vai pegar apenas um soldado comum? Bem, isso só cobriria o cenário europeu , não o Pacífico. Você faz de Hitler um personagem com ponto de vista para mostrar o outro lado? E o lado japonês ou da Itália? Roosevelt, Mussolini, Eisenhower – todos esses personagens têm um ponto de vista único que representa algo enorme na 2ª Guerra Mundial.

Então, você pode ir a partir de uma estrutura de ponto de vista onisciente onde você está contando isso do ponto de vista de Deus, que é uma técnica literária bastante desatualizada, ou você tem um mosaico de pessoas que estão vendo uma pequena parte da história cada um, e através deles você pode obter toda a imagem. Esse é o caminho que eu escolhi usar.

Faça Pontos de Vista críveis
Em última análise, todos nós estamos sozinhos no universo – a única pessoa que cada um de nós realmente conhece profundamente, somos nós mesmos. Obviamente, eu nunca fui um anão ou uma princesa, então quando eu estou escrevendo esses personagens eu tenho que tentar e conseguir entrar em sua pele e ver como seria o mundo de sua posição. Nem sempre é fácil.

Uma parte disso pode ser conseguido falando com pessoas reais. Eu me correspondia com um fã que era paraplégico quando eu estava escrevendo o primeiro e o segundo livros. Ele me deu um monte de informações valiosas sobre como escrever sobre Bran e como seria estar nessa situação.

Mas, ultimamente, eu acho que a humanidade que todos os meus personagens compartilham é mais importante do que se são homens ou mulheres, princesas ou camponeses, altos ou pequenos. Enquanto estas coisas certamente fazem diferença, todos os tipos de seres humanos em todas as culturas ao longo da história têm desejado sucesso, amor, uma certa dose de prosperidade, conseguir comer e não ser morto. Estas são coisas muito básicas que motivam todas as pessoas e tento manter isso em mente ao escrever qualquer personagem.

A Dor é uma ferramenta poderosa – mas não exagere
Apresentar a dor é algo difícil de fazer. Anos atrás eu escrevia para um programa de TV chamado A Bela e a Fera, estrelado por Ron Perlman e Linda Hamilton. Linda deixou o show após a segunda temporada para seguir uma carreira no cinema, por isso, decidimos retirar o personagem da história ao invés de substituir a atriz, porque era mais dramático. Tivemos a personagem morta e isso levou a uma grande briga com a rede [o canal].

Queríamos passar um episódio inteiro em que a personagem estaria enterrada e todo mundo passaria 60 minutos chorando e lamentando e compartilhando suas lembranças sobre ela. Mas a rede não queria que mostrássemos nada disso. Eles disseram “o personagem está morto, você precisa seguir em frente e apresentar uma nova Bela. Nunca mais vamos mencionar o nome de seu personagem novamente”. Toda a sala de escritores ficou horrorizada com isso. Era para ser uma história de amor pelas eras, ele não ia simplesmente esquecê-la e seguir para a próxima Bela.

Nós meio que ganhamos a batalha, mas perdemos a guerra. Apresentamos o episódio [como queríamos] e foi muito poderoso. Acho que nossos fãs mais incondicionais assistiram, derramaram muitas lágrimas e depois nunca mais assistiram a série de novo! A mágoa, o sofrimento, não necessariamente se traduz em valor de entretenimento. Dito isto, faz mais poderosa a narrativa. Apresentar não apenas a morte, mas a dor é importante. Em algum momento, todos nós experimentamos a perda de nossos pais, ou irmão ou amigos próximos e é uma emoção muito poderosa.

Violência deve ter consequências – então não poupe ninguém!
Se você pretende escrever sobre guerra no estilo medieval, você precisa mostrar isso – todas essas espadas não são apenas para enfeite. Você deve apresentá-lo honestamente em toda a sua feiura e horror. Batalhas medievais eram excepcionalmente sangrentas, as pessoas basicamente acertavam umas as outras com pedaços grandes, muito afiadas de metal que arrancavam membros e deixavam lesões horríveis e devastadores. Na Batalha de Hastings há relatos contemporâneos de um verdadeiro banho de sangue (estima-se que somando os dois lados haviam 17000 soldados e fora os feridos teriam morrido cerca de 6.000, tudo isso em uma manhã). Eu gosto de mostrar as consequências críveis da guerra, como o homem aleijado, que viveu depois.

Curiosamente, na série, eles mataram uma certo número de personagens menores que ainda estão vivos nos livros, como as duas servas de Daenerys. Quando perguntei [aos produtores] sobre isso, eles me explicaram que ao contrário dos meus personagens nos livros, os atores esperam ser pagos em dinheiro! Portanto, a fim de introduzir um novo personagem no início de cada temporada, eles têm que matar alguns dos antigos personagens para ter folga [no orçamento].

Evite clichês de fantasia
Eu amo fantasia e tenho lido durante toda a minha vida, mas eu também sou muito consciente de suas falhas. Uma das coisas que me deixa louco é a exteriorização do mal, onde o mal vem do “Senhor das Trevas” que está sentado em seu palácio escuro com seus asseclas sombrios onde todos se vestem de preto e são muito feios. Eu deliberadamente brinquei com isso. Veja a Patrulha da Noite, eles mesmos estão cheios de ladrões, saqueadores e estupradores, e são pessoas heroicas – mas todos eles se vestem de preto. E depois há os Lannister que são bonitos e justos, mas não são as pessoas mais simpáticas da história.

Na fantasia simplista, as guerras são sempre plenamente justificadas – você tem as forças da luz que lutam contra uma horda escura que querem espalhar o mal sobre a terra. Mas a história real é mais complexa. Há uma grande cena em Henrique V de William Shakespeare, em que Henrique vai andando entre os seus homens disfarçado na véspera da batalha de Agincourt, e alguns deles estão questionando se a causa do rei é justa ou não, e lamentando todas as pessoas que vão morrer para apoiar a sua reivindicação. Essa é uma pergunta válida. Então você tem a Guerra dos Cem Anos, que era basicamente uma briga entre famílias que mandou gerações inteiras para o matadouro. Então, eu tento mostrar isso no que escrevo.

Criando personagens “cinza”
Personagens cinza [nem bons, nem maus] sempre me interessaram mais e eu acho que o mundo está cheio deles. Eu li um monte de História, e eu não achei nenhum personagem puramente heroico ou puramente mau. Você pode escolher os exemplos mais extremos – Hitler era famoso por amar cães. Stalin, Mao, Genghis Khan, os grandes assassinos em massa da história eram todos heroicos sob seus próprios olhos. Por outro lado você pode ler histórias sobre todos os santos da história católica e Madre Teresa ou Gandhi e você pode encontrar coisas e ações sobre eles que eram erradas ou questionáveis ​, mas que eles fizeram.

Somos todos cinza e eu acho que todos nós temos a capacidade de fazer coisas heroicas e coisas muito egoístas. Eu acho que compreender isso é a chave para você criar personagens que realmente têm alguma profundidade neles. Mesmo quando eu estou escrevendo Theon Greyjoy, que é alguém que muitas pessoas odeiam, eu tenho que tentar ver o mundo através de seus olhos e dar sentido ao que ele faz.

Gerenciar muitos personagens requer habilidade – e sorte
Eu às vezes me pergunto se será possível amarrar todos os fios soltos na minha saga. Tenho pesadelos quando eu penso sobre tudo se juntando nos últimos dois livros. Acho que posso fazer isso, mas vamos ver quando eu chegar ao fim. Às vezes, esses personagens malditos tem uma mente própria e se recusam a fazer o que eu quero que eles façam. Eu acho que nós vamos saber se tudo vai funcionar em uma década mais ao menos!

Lembre-se: O inverno está chegando
Valar Morghulis – Todos os homens devem morrer. Eu acho que a consciência de nossa própria mortalidade é algo que diz respeito mais a arte e a literatura. Mas eu não acho que isso se traduz, necessariamente, em uma visão de mundo pessimista. Assim como no mundo real, meus personagens estão aqui apenas por um curto espaço de tempo. O importante é o amor, a paixão, a empatia, o riso, até mesmo rir na cara da morte, se for possível. Há trevas no mundo, mas não podemos dar lugar ao desespero. Um dos melhores temas de O Senhor dos Anéis é que o desespero é o crime supremo. O inverno está chegando, mas você pode acender as tochas e beber vinho e se reunir ao redor do fogo e continuar a lutar por um bom combate.
Mas seja lá o que você fizer, no entanto… Boa sorte. Você vai precisar.

E então? Está pronto para começar sua própria saga? Interessante que “leve todo o tempo do mundo para escrever seu livro” e “não se desespere se seus fãs não te deixarem em paz” não foram citados como conselhos, mas a gente releva.

Matéria original aqui!