terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Diário de bordo (Sobre a reescrita) – Max Moreno

Reescrever é preciso


Olá, pessoal.

Como está a sua “terça-feira de Carnaval?”

Aproveitando que não se fala em outra coisa nos últimos dias, tenho evitado a TV e a internet. Não que eu não goste de “samba” ou de Carnaval, afinal, sou brasileiro e não sou “doente do pé”... rs.

Bem, brincadeiras à parte, estou aproveitando o feriado para avançar na reescrita do meu novo romance (O Filho da Alma). Aproveito a oportunidade para chamar a atenção dos escritores iniciantes para a necessidade da reescrita. Já dizia Ernest Hemingway: “A primeira versão de qualquer coisa é uma merda.” E ele tinha razão, pois, independentemente se você se julga um “gênio da literatura”, a primeira versão da sua obra será, na grande maioria dos casos, sempre cheia de falhas e inconsistências, o que é perfeitamente natural, uma vez que o primeiro impulso da escrita não demanda necessariamente os recursos técnicos e de estilística a que dispõe o escritor (consciente). O que conta nesse primeiro contato com a trama é (pode parecer estranho) a quantidade, e não a qualidade. É o momento de “despejar” as ideias no papel e só depois decidir o que fica e o que sai. Isso mesmo, boa parte do que você escreveu, embora isso lhe parta o coração, terá de ser cortado (mas isso já um outro ponto que em breve discutiremos aqui).

De qualquer forma, considere (e digo isso com toda a sinceridade deste mundo) reescrever a sua “obra-prima” quantas vezes forem necessárias. Você vai perceber que o “exercício” da reescrita, em muitos casos, pode (e vai) lhe ensinar muito mais do que a escrita propriamente dita.

É isso!

Um ótimo feriado a todos.

Abraço.




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

“Iracema” – José de Alencar na avenida


Encerrando a primeira noite dos desfiles das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro, a Beija-Flor de Nilópis homenageou o escritor José de Alencar, com um desfile inspirado na obra 'Iracema - A Virgem dos lábios de mel'.

Sempre uma das favoritas ao título, a escola de Nilópolis nasceu como bloco de carnaval em 1948 e é embalada pela voz marcante de Neguinho da Beija-Flor. 

Vencedora de 13 campeonatos, a escola é conhecida pelo luxo nas fantasias e alegorias, a agremiação tem sua história marcada por nomes como o de Joãozinho Trinta, por exemplo. 

O enredo de 2017 trouxe a temática “A Virgem dos Lábios de Mel – Iracema”, inspirada na obra homônima de José de Alencar, que narra de forma poética o encontro de amor entre um português e uma índia.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Tom Hanks lançará coleção de contos em outubro

O ator selecionou 17 contos que envolvem máquinas de escrever


Após publicar uma história pela primeira vez em 2014, Tom Hanks voltou a se aventurar no universo da escrita. O ator, vencedor de dois prêmios Oscar, irá lançar em outubro uma coleção de contos intitulada "UNCOMMON TYPE: Some Stories", que envolvem, de alguma maneira, máquinas de escrever em diferentes narrativas.

"Escrevi em hotéis durante coletivas de imprensa, em férias, em aviões, em casa e no escritório", revelou o astro, que começou a trabalhar no projeto em 2015.

Na obra, o astro, que possuiu mais de 100 máquinas em seu acervo pessoal, aborda diversas histórias que envolvem desde um conto sobre um imigrante chegando em Nova York, até um sobre um jogador que se torna uma celebridade.

Há três, Hanks publicava sua primeira história na revista "The New Yorker". A narrativa mergulhava na aventura de jovens que fazem uma expedição amadora para a lua.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Como criar personagens interessantes e convincentes


Um dos maiores desafios para o escritor iniciante (ou não) é a criação de personagens interessantes e convincentes. Um personagem interessante deve despertar empatia no leitor, provocar emoções e provar a sua existência, ainda que no mundo fictício. O leitor passa a considerá-lo como alguém “vivo”, e pensa no personagem (ou nos personagens) mesmo quando não está com o livro nas mãos. Mas como construir um personagem assim?

Um dos pontos que devemos considerar é que ao construir um personagem, damos a ele uma identidade. Assim, devemos conhecê-lo muito bem. Seus hábitos, gostos, seu modo de falar e seu modo de agir. Um personagem deve ser retratado por suas contradições, escolhas e relações.

Tenha sempre em mente que o que vai definir o seu personagem perante o leitor é a maneira como ele age. Cada ação escolhida, cada resposta dada pelo personagem é o que o faz com que leitor identifique seu perfil e possa expressar suas emoções por ele. Essas emoções podem variar do amor ao ódio ou ao desprezo, mas, uma vez que o personagem consiga despertar alguma emoção no leitor, ele certamente não será esquecido.

Outro ponto a ser ressaltado é que todo personagem (repito: todo) deve ter um objetivo na trama. Um personagem que não tem um objetivo a ser alcançado não serve para nada. Por isso, ao criar um personagem, você deve se perguntar qual o objetivo dele na história.

Personagens convincentes são como as pessoas da vida real. Cometem erros, têm defeitos, amam, sentem medo, ódio, têm desejos, sonhos, frustrações, às vezes perdem o controla, falam palavrões, etc.

Personagens perfeitos tendem a ser esquecidos pelo leitor antes mesmo do término da leitura do livro. São utópicos, inalcançáveis, pois, nenhum ser humano é perfeito.

Agora, quando você for criar seus personagens, pense em pessoas reais com todas as suas qualidades e (principalmente) defeitos. Assim, seus personagens conquistarão o leitor, seja pelo amor ou pelo ódio.


É isso!

Um abraço.

Max Moreno

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Adriana Calcanhotto lança obra com jovens poetas

Antologia reúne 41 jovens poetas sob o olhar pessoal de Adriana


Antologias lançadas com barulho por grandes editoras muitas vezes se tornam motivo de discussão nos bares e rodas literárias no Brasil, e com É Agora Como Nunca: Antologia Incompleta da Poesia Contemporânea Brasileira, que a Companhia das Letras lança nesta semana, não é diferente. O livro foi organizado por Adriana Calcanhotto.

A antologia reúne 41 poetas nascidos depois de 1970, dos quais 23 homens e 18 mulheres – alguns poucos poemas são inéditos, mas a maioria já foi publicada em editoras de tamanhos variados. A antologista diz que a reunião é “incompleta e totalmente pessoal, intransferível, autoral, ou o contrário”, e a própria palavra “incompleta” do título parece pretender criar uma proteção e uma vontade de não polemizar. Mas falando de uma antologia como essa em um momento em que intelectuais e políticos estão em pé de guerra, é inevitável.

Um dos traços em comum observados entre os poemas é uma espécie de lirismo intimista, dificilmente relacionada a acontecimentos sociais na camada mais aparente, por exemplo. “Não encontrei uma poesia muito, digamos, ‘engajada’ ou panfletária. Me parece bem mais uma poesia introspectiva”, diz Calcanhotto, por e-mail, de Coimbra, onde está dando aulas na universidade. “Agora, as coisas estão se dando com uma rapidez no Brasil, que quando fechei o livro, em outubro do ano passado, o pano de fundo era outro, parece que passaram alguns anos e parece que podemos dizer que aquilo eram ainda bons tempos perto de tudo ao que estamos assistindo agora, atônitos.”

A preferência pelo verso livre e por uma urgência da comunicação – talvez relacionada à velocidade da web – são outros traços apontados pela antologista. “Alguns assuntos são tratados de maneira mais inusitada mas não deixam no fundo de ser os mesmos assuntos de toda a poesia de todos os tempos, como não poderia deixar de ser.”

Um dos nomes mais conhecidos da seleção, Fabiano Calixto (1973) aponta que a boa poesia contemporânea – para ele, “na cena”, fora das grandes editoras – está sim dando conta do contemporâneo, “no que é possível dentro dessa clara impossibilidade”. 

“Há muita poesia ruim”, diz Calixto. “Coisa que nem poesia é, mas o pessoal confunde. Muito texto moralizante, textos de autoajuda cortados em linhas. É constrangedor. Mas quando o assunto é poesia de hoje, penso nesse conjunto de ótimos poemas feito em meu tempo, digo: a boa poesia feita hoje no Brasil é porrada.” 

A poeta e tradutora Marília Garcia (1979), que também está na antologia, acredita que uma escrita pode ser “intimista” de muitas maneiras, e mesmo assim tocar o político. “O material da escrita é a língua, é a linguagem (que vem a ser o mesmo material da política) e toda escrita pode ser política se houver um tipo de trabalho sobre a linguagem”, analisa. “Quais os sentidos um poema pode produzir, como pode o poema criar um espaço de respiração para pensarmos o que acontece, como os recursos da linguagem podem criar ou calar ou inventar outras formas de ver o mundo – acho que essas são algumas perguntas que apontam para a dimensão que a escrita possui.” 

Ela cita, como exemplo, outra poeta que também está na seleção de Calcanhotto, Angélica Freitas (1973). “Seus dois livros tem uma voltagem ‘poética’ que é altamente ‘política’: os poemas trabalham com a linguagem e com os discursos, são bastante irônicos e críticos e humorados; e os momentos mais ‘intimistas’, com tom mais autoderrisório, são de uma força que nos levam a voltar o olhar para nós mesmos e para o absurdo do que vivemos.”

A poeta e artista visual Bruna Beber (1984) – que também tem poemas no livro – afirma que vê nos poetas de hoje uma vontade de reação: “sinto nos poetas (e não só) hoje o que acredito que tenha sido sentido nos grandes baixos da história: sair da dormência, reagir seriamente ao momento em que vivemos – que é aterrador para qualquer lado que se olhe – sinto essa urgência já há muito atrasada, essa vontade de resposta, de grito, de luta, de fazer qualquer coisa que nos oriente em meio a esse cenário político vergonhoso.”

Para Calcanhotto, a relação da poesia com o contemporâneo é “mais desencanada, menos ligada ao sublime, menos cerimoniosa, menos preocupada em fazer sentido, menos preocupada de modo geral”. E, ao mesmo tempo, “um pouco menos esperançosa”.

A cantora e compositora, que já organizou outras antologias, está em residência artística na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra até junho, e vai dar uma série de aulas, oficinas e palestras – com sentimentos sobre o Brasil: “À noite vejo as notícias do Brasil e às vezes choro, de tristeza e impotência.”

É AGORA COMO NUNCA
Org.: Adriana Calcanhotto
Editora: Companhia das Letras (144 págs., R$34,90)



sábado, 18 de fevereiro de 2017

Novo livro do autor de ‘A Garota do Lago’ sai em 2018


O livro A garota do lago mal acabou de sair e o autor Charlie Donlea já fechou contrato com a Faro Editorial para o seu segundo livro de suspense. Segundo a editora, além da qualidade da história, outro motivo foi ver a tiragem de 15 mil exemplares evaporar dos estoques da editora em apenas 20 dias. Metade dela por reposição de vendas. Aqui no Brasil a negociação foi feita por intermédio da Bookcase, de Meire Dias e Flávia Viotti.



O novo livro, The girl who was taken, será lançado nos EUA no próximo mês e conta uma história cheia de reviravoltas e alta tensão, acerca de duas meninas sequestradas - uma foge do cativeiro, outra não – e a irmã da desaparecida, uma perita forense em busca respostas. Um ano depois, Megan, lança um livro que rapidamente se torna best-seller para contar a sua história, o que a transformou numa celebridade nacional. É uma história triunfante e inspiradora, exceto por um detalhe inconveniente: Nicole, a outra garota, ainda está desaparecida. No Brasil, o livro sai em 2018.

Fonte: PublishNews

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Os dez mandamentos para um escritor iniciante

Alguns caminhos e dificuldades para publicar, vender e ser lido e reconhecido como autor no Brasil

Por José Nêumanne Pinto



 Ilustração: Robson Vilalba


1 - Recuse a mediocridade, pois para escrever bem é preciso ter tolerância zero para o erro

Conheci o prazer de fruir a boa literatura antes de aprender a ler. Minha mãe dizia de cor poemas nas noites escuras e quentes do sertão na calçada da casa onde morávamos em Uiraúna (PB). Ali travei contato com Augusto dos Anjos, Jansen Filho, Casimiro de Abreu e, principalmente, Antônio Frederico de Castro Alves, os favoritos dela. Na primeira infância, me arrisquei a escrever logo depois de me ter iniciado no prazer da leitura. Foi aí que percebi que para escrever bem é preciso ler o máximo possível. Mas, de preferência, só ler coisas boas. A má leitura é nociva à boa escrita. O primeiro duro desafio para o autor iniciante é separar o joio do trigo. Certa vez, em Buenos Aires, o genial Jorge Luis Borges me disse que a imprensa é uma desgraça da humanidade, pois bom mesmo era o tempo dos papiros, pergaminhos e dos palimpsestos (principalmente neste caso, pois um texto teria de superar o outro para ser inscrito em cima dele), quando reproduzir a escrita dava muito trabalho, não era mecânica, como passou a ser por causa do prelo. Um dos escritores favoritos de Borges, o britânico Chesterton, escrevia muito para jornais, mas dizia que quando desejava saber o que se passava na humanidade, lia a Bíblia.

Os grandes escritores acabam por adquirir autonomia para o exercício seletivo do livre arbítrio em meio à profusão de publicações que a indústria editorial oferece. Cada dia fica mais fácil reproduzir escritos e cada dia mais proliferam textos ruins, que os autores praticamente impõem aos editores e estes aos leitores. Qual terá sido o efeito disso na enorme oferta de livros pela indústria editorial e na queda de qualidade? O grande poeta paraense Ruy Barata dizia nos “botecos literários” de Belém: “Uma livraria tem um poder enorme; para o bem ou para o mal. Sua vida inteira pode depender da escolha que, dentro dela, você vier a fazer”.

Ou seja, o autor iniciante precisa ser vacinado contra a pior das pragas literárias, a contaminação da mediocridade. A mediocridade é ostensiva, exibicionista e tirânica. O medíocre não se contenta em sê-lo. Ele quer ter cúmplices. Danou-se: senti-me incorporando Nelson Rodrigues ao lhes afirmar isso. Mas voltemos ao rés do chão. Eu tenho fama de ser malvado e até grosseiro, mas até hoje nunca tive coragem de rejeitar de cara um livro ruim que me oferecem. Minha mãe ficava furiosa com minha mania de corrigir os erros de português da conversa de suas amigas. Talvez por isso, sinto certa dificuldade até para não colocar na estante a má obra, capaz de contaminar as melhores na minha biblioteca.

Leia o texto completo aqui.

Fonte: Jornal Rascunho