quinta-feira, 15 de maio de 2014

A Outra Sombra - 2 capítulos do livro


A Outra Sombra
Confira 2 capítulos em PDF

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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Flip anuncia programação

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) trará este ano 41 autores de diversas nacionalidades, todos estreantes no evento. O único que já havia sido convidado a participar é o homenageado desta 12ª edição: Millôr Fernandes (1923-2012).

Vencedora do Pulitzer em 2000, inglesa Jhumpa Lahiri participa da FLIP 2014

Destacam-se nos cinco dias de programação - de 30 de julho a 3 de agosto - a escritora neozelandesa Eleanor Catton, ganhadora do Booker Prize, o suíço Joël Dicker, a britânica de origem indiana Jhumpa Lahiri e o já anunciado russo Vladimir Sorókin. Foram convidados autores latino-americanos de diferentes gerações, como Juan Villoro, Daniel Alarcón e Graciela Mochkofsky.

Os temas centrais, além da homenagem, são a crítica ao poder, a ciência, o pensamento indígena, a arquitetura. A Copa do Mundo não será tratada por uma mesa específica.

O show de abertura, dessa vez totalmente aberto ao público, será de Gal Costa. Os preços se mantiveram: a entrada para a tenda dos autores custa R$ 46 e a do telão, R$ 12. Os ingressos começam a ser vendidos dia 2 de junho. Na internet, no site da produtora Tickets for Fun, pelo telefone 4003-5588 e nas bilheterias do Citibank Hall no Rio e em São Paulo.

Confira abaixo a programação completa:


PROGRAMAÇÃO FLIP 2014

Quarta, 30 de julho
19 h
Conferência de abertura
Agnaldo Farias
Millormaníacos
Hubert e Reinaldo entrevistam Jaguar
21h30
Show de Gal Costa


Quinta, 31 de julho
12 h 
Poesia & Prosa
Eliane Brum, Charles Peixoto e Gregorio Duvivier
15 h
Os Possessos
Elif Batuman e Vladímir Sorókin
17h15
Fabulação e Mistério
Eleanor Catton e Joël Dicker
19h30
Paraty, Veneza do Atlântico Sul
Francesco Dal Co e Paulo Mendes da Rocha


Sexta, 1º de agosto
10 h
O Guru do Méier
Cássio Loredano e Sérgio Augusto
12 h
À mesa com Michael Pollan
15 h
Marcados
Claudia Andujar e Davi Kopenawa
17h15
Livre Como um Táxi
Antonio Prata e Mohsin Hamid
19h30
Encontro com Andrew Solomon
21h30
2 x Brasil
Cacá Diegues e Edu Lobo


Sábado, 2 de agosto
10 h
Liberdade, Liberdade
Charles Ferguson e Glenn Greenwald
12 h
Memórias do Cárcere: 50 anos do Golpe
Bernardo Kucinski, Marcelo Rubens Paiva e Persio Arida
15 h
A Verdadeira História do Paraíso
Etgar Keret e Juan Villoro
17h15
Tristes Trópicos
Beto Ricardo e Eduardo Viveiros de Castro
19h30
Encontro com Jhumpa Lahiri
21h30
Narradores do Poder
David Carr e Graciela Mochkofsky

Domingo, 3 de agosto 
10 h
Ouvir Estrelas
Marcelo Gleiser e Paulo Varella
12 h
Romance em Dois Atos
Daniel Alarcón e Fernanda Torres
14 h
Os Sentidos da Paixão
Almeida Faria e Jorge Edwards
16h
Livro de Cabeceira

terça-feira, 13 de maio de 2014

Salman Rushdie destaca papel da literatura na história

Falando pausadamente, arrancando alternadamente risos e expressões de concordância da plateia, o escritor anglo-indiano Salman Rushdie fez nesta segunda-feira à noite um lúcido e comovente elogio da literatura. Rushdie, internacionalmente conhecido por ter sido alvo de uma sentença de morte proferida por radicais islâmicos nos anos 1980, fez a palestra de abertura do Fronteiras do Pensamento no Salão de Atos da UFRGS.


Bem-humorado, Rushdie não demorou a obter já nas primeiras frases a cumplicidade da audiência ao prometer que, apesar de estar em um palco, não cantaria:
– Fui convidado para subir ao palco em um show do U2 certa vez, e meu filho, então adolescente, me pediu: "pai, não cante, senão vou ter que me matar".

O tema que Rushdie havia preparado para a conferência, contudo, era bastante sério – embora sua condução da palestra tenha obtido outras gargalhadas ao longo da noite. Rushdie falou, particularmente, do papel da literatura em uma realidade na qual os eventos históricos têm tanto impacto na vida de todos.

– O espaço entre eventos históricos e vida privada encolheu. No tempo de Jane Austen, a Inglaterra estava engajada em um conflito contra Napoleão. E isso não aparece nos livros. O exército até aparece, mas vestindo uniformes galantes e frequentando bailes. Aquele mundo privado que ela retrata estava tão distante dos grandes eventos da história que ela não precisava mencioná-los, os assuntos públicos, porque aqueles assuntos não impactavam a vida dos personagens sobre os quais ela estava escrevendo. Nos dias de hoje não é assim.
Rushdie reforçou que a literatura, embora não tenha a rapidez e a celeridade do noticiário cada vez mais presente, ela apresenta algo em uma profundidade que as notícias não alcançam: a experiência vivida do mundo.

– Como é a realidade do Afeganistão, da Coreia do Norte? O romance é capaz de responder perguntas como essas, que permaneceriam um mistério se só acompanhássemos as notícias.
Rushdie recuperou a história de alguns de seus livros, do que pensou ao escrevê-los e de como desde os primeiros, e não apenas em Os Versos Satânicos, houve reações indignadas de autoridades apegadas a histórias oficiais:

– Em Os Filhos da Meia-Noite mencionei a guerra de libertação de Bangladesh, na qual o exército do Paquistão matou grande número de pessoas. E após a guerra, governantes civis e militares negaram esses crimes, embora as pessoas ainda se lembrassem dele. Desse modo, o simples ato, por parte daqueles que lembravam daquilo, se tornou político.

O escritor, portanto, é o que corre tal risco. E de acordo com ele, encerrando em círculo que retornava à ameaça de morte que sofreu "é parte do trabalho".

O Fronteiras do Pensamento Porto Alegre é apresentado pela Braskem e tem o patrocínio de Unimed Porto Alegre, Gerdau e Hospital Mãe de Deus. Parceria acadêmica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e parceria cultural de Natura, PUCRS e Celulose Riograndense. Promoção Grupo RBS.

domingo, 11 de maio de 2014

"Eu errei, erro e errarei", diz Paulo Coelho ao passar a limpo sua vida e obra

Em entrevista, o best-seller fala sobre o seu novo livro, a parceria com Raul Seixas, religião e misticismo

Por: Léo Gerchman


Parceiro musical de Raul Seixas no auge de Raulzito, imortal na Academia Brasileira de Letras, best-seller mundo afora, desprezado pelos críticos e incensado pelo público, Paulo Coelho trocou a música pelos livros e não se arrepende. Idealizador da “sociedade alternativa”, é personalidade polêmica, o que só se confirma pelo título da mais recente obra, Adultério (Sextante, R$ 24,90, 240 páginas). Nesta entrevista, ele falou sobre a relação com Raul Seixas, ditadura, processo criativo e sua atual rejeição às drogas. Evitou, ao ser perguntado, responder sobre as duas experiências homossexuais que teve, a magia negra, o encontro que um dia disse ter mantido com o diabo e até se ainda acredita que nasceu “há 10 mil anos atrás e não tem nada neste mundo que não saiba demais”. Leia a entrevista concedida por e-mail desde Genebra, onde vive:

Em seu novo livro, Adultério, a polêmica já começa pelo título da obra. Como foi essa discussão e essa decisão?


Eu fiquei um pouco temeroso com a reação dos leitores ao comprar um livro chamado Adultério. Achei que talvez eles pudessem relutar diante do título. Mas o que estamos vendo é que, em menos de uma semana após o lançamento, o livro já está em todas as listas de mais vendidos do Brasil. Portanto, penso que a coragem de ter mantido o título que eu achava que seria o mais significativo para ele, foi uma boa decisão.

Trata-se de um livro que já nasce traduzido para diversos idiomas. Houve reações ao nome em alguns países?


Sim, em dois países. Nos Estados Unidos, eles queriam chamar de O Caso, mas, imediatamente, mudaram de ideia. O mais difícil foi com a Alemanha, que queria também chamar de O Caso (e o curioso é que uma editora não tem contato com a outra). Eles diziam que adultério é uma palavra antiga, que ninguém dizia: “Você está cometendo adultério”. Eu pensei: “Mas, ora bolas, adultério é uma palavra antiga em qualquer língua”. Como não entendo alemão, fui conversar com gente que entende a língua. Foi uma discussão muito longa, demorou uns três ou quatro dias e, finalmente, depois destas conversas, realmente percebemos que, em alemão, a palavra adultério soa muito mal. Lá, o título será Infidelidade, o mesmo nome para os países árabes. Com relação ao lançamento em diversos países, normalmente os meus livros já nascem com contratos assinados nos locais em que sou publicado. Desta vez, resolvemos lançar tudo no mesmo ano. Então, daqui até setembro, sai em aproximadamente cem países e nos mais diferentes idiomas. Na língua espanhola, serão 29 países. Em inglês, em oito ou nove. Em árabe, 10. E por aí vai.

Como sua mulher aceitou a abordagem de um assunto tão delicado?


O livro não é sobre a minha história com a minha mulher. Ela leu e gostou muito. O que me surpreendeu foi que ela disse: “Você sabe escrever como mulher, sabe ver o mundo feito uma mulher”. Eu já tinha feito isso em dois livros, Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei e Onze Minutos. E, graças a Deus, esse dom persiste, pois, no fundo, é a mulher quem cria. O ato de criar é sempre um ato feminino, mesmo que seja um homem escrevendo. Qualquer escritor tem de desenvolver isso.  
No livro, uma mulher vive uma rotina ideal, de acordo com os nossos padrões sociais. Mas está insatisfeita. A rotina que vivemos hoje sufoca as pessoas, como sufocava anos atrás, quando os costumes eram mais rígidos, mas a competitividade e a urgência eram menores.
A gente romantiza muito o passado. Acho que a rotina sempre sufocou as pessoas, no presente, no passado e, infelizmente, no futuro. A competitividade e a urgência eram menores, mas, por outro lado, as pessoas ficavam muito acomodadas. Eu sou a favor dessa competitividade atual, não no sentido de derrubar o outro a qualquer preço, a alegria de viver é competir com você mesmo, sempre procurar ser melhor no que você faz.  



A escolha do tema adultério surgiu de conversas pela internet. Como se deu isso?


Eu vi um filme sobre o Relatório Kinsey, que foi publicado nos anos 1950, sobre o comportamento sexual das pessoas. E o interessante deste relatório é que as pessoas leram e pensaram: “Eu não estou sozinho”. A pessoa que se masturbava e achava que era só ela, as pessoas que tinham certas preferências e achavam que eram diferentes ficaram aliviadas. Eu fiquei muito impressionado, o relatório é da época dos meus pais, e pensei qual tema seria importante abordar hoje em dia em um post no meu blog. Primeiro, pensei em depressão e fui para a internet saber o que as pessoas pensavam sobre aquele assunto, mas percebi que as que estavam realmente deprimidas não responderam. Então, abri uma página no meu blog e tive mais de mil respostas. Pude ver que as pessoas aliavam um estado de depressão à infelicidade amorosa. Aí, comecei a entrar em fóruns, ver como as pessoas se comportavam, e o fato é que eu fui, anonimamente, vendo que as pessoas se deprimiam muito com a infidelidade amorosa. O tema me seduziu. Deixou de ser um post e virou um livro.

As pessoas estão muito insatisfeitas com suas vidas cotidianas neste século 21? Por quê?

Acho isso bom, pois, se não estivessem, não estariam evoluindo. Acho que a insatisfação faz a gente andar para frente.

O movimento da “sociedade alternativa” ainda é uma resposta a isso? 


É uma ideia minha e do Raul que foi ótima nos anos 1970. Mas, hoje em dia, já é impossível, inclusive de ser colocada em prática, pois, graças à internet, tudo está muito interligado. Você não pode se afastar de alguma coisa. Nós somos nós mesmos e nossas circunstâncias, como dizia Ortega y Gasset.

Adultério é como “É um sapato em cada pé, É direito de ser ateu, Ou de ter fé” (máxima da sociedade alternativa)?


O livro não julga o adultério, e isto é importante deixar bem claro. Eu escrevo ali sobre o adultério, mas de maneira nenhuma tentando julgar os seus personagens principais. Da mesma maneira que eu não julguei a prostituição em Onze Minutos. Eu apenas relatei: um escritor é um repórter do seu tempo.

A “sociedade alternativa” surgiu no início dos anos 1970. A revolução cultural europeia se deu com o marco em 1968. Dá para se dizer que o AI-5, em dezembro de 1968, represou o grito libertário que se formava e que, no Brasil, ocorreu mais tarde?


Eu participei muito daquilo que nós chamamos de 1968, pois era um hippie muito doido. Associar o AI-5 ao grito de liberdade que estava se ouvindo naquele momento não tem nada a ver. O Brasil participou, a reação veio muito violenta sob a forma do AI-5, mas isso são consequências. O problema seria se tivéssemos o AI-5 até hoje, aí estaríamos muito mal.

Que tipo de religiosidade o senhor desenvolve nos dias de hoje?


Sou um católico praticante, mas nem sempre tenho muita paciência para o que o padre diz no sermão. Eu adoro o rito, acho o ritual o mais perfeito que existe, da Igreja, da palavra, da celebração. Acho muito importante celebrar, mas tem coisas de que realmente eu discordo, sobretudo na hora do sermão, (quando o padre) começa a explicar coisas que são a versão dele.

O senhor acha que, sem o LSD, os Beatles teriam elaborado e gravado Sgt. Pepper’s?


É óbvio que os Beatles teriam gravado Sgt. Pepper’s sem LSD. Já me droguei muito, mas fui parando aos poucos. LSD eu acho que tomei a última vez em 1972, cocaína em 1974 e maconha em 1982. A droga dá uma falsa sensação de criatividade. Os Beatles devem ter gravado Sgt. Pepper’s totalmente caretas. Quando você está na droga, você pode dar uma viajada que aquilo é legal, mas, quando escuta, é diferente. Escrevi muito sob o efeito de drogas e depois, quando ia ler, achava tudo um horror.

Como foi a reação de Ernesto Geisel, o presidente militar, em relação à “sociedade alternativa”? É verdade que ele chamou o senhor e Raul para conversar sobre o tema? Está fazendo exatamente 40 anos que isso ocorreu. Vocês sofreram torturas? E o exílio?


Imagina se o Geisel ia querer conversar comigo e com o Raul! Na verdade quem foi preso fui eu. O Raul não foi preso, ele foi chamado, e fui com ele para fazer companhia. Fiquei lá, e ele foi embora. E foi um momento muito difícil na nossa relação, porque eu me julguei abandonado, o que não é verdade, todo mundo ali ficava assustado mesmo. Fui torturado, não houve exílio, a gente se mandou do país porque estávamos com medo. Ninguém nos obrigou a sair do país. O medo era um terror.



Pesquisa recente do Latinobarómetro mostra que o catolicismo está em queda na América Latina em geral e no Brasil em especial. O senhor tem uma explicação para isso?


Realmente acredito que o catolicismo esteja em queda, e as igrejas evangélicas em alta. O catolicismo se afastou muito no lado do mistério e se transformou em uma coisa mais técnica, mais burocrática. Espero que haja uma reversão com o papa Francisco.

A figura de um papa latino-americano pode ser importante para o catolicismo evoluir nos costumes e conter a perda de fiéis?


O papa Francisco é um homem que respeita o mistério e a origem do cristianismo, que é no fundo “amar ao próximo como a si mesmo”.

Como o senhor vê o crescimento das igrejas evangélicas no Brasil e fora dele?


Não tenho nada contra as igrejas evangélicas. O problema é que algumas são muito radicais e vêm com essa história de querer assustar todo mundo com o inferno, em uma interpretação literal da Bíblia, como se Deus tivesse descido e escrito o livro. Não é isso, a Bíblia foi escrita por homens inspirados por Deus. O maior problema é a intolerância, o que não é um privilégio dos evangélicos. É o que ocorre em todas as igrejas, inclusive a católica. 

Desde livros como Brida e O Alquimista, como se deu sua evolução como escritor?


Eu mantenho uma coisa muito importante na minha vida que é ser direto sem ser superficial. A primeira versão de um livro meu tem muito mais páginas, mas, quando é publicado, eu já cortei tudo que era excesso, sem perder a essência. Era meu estilo na música, e é na literatura. Isso atravessa todos os meus livros.

Que tipo de música o senhor estaria fazendo hoje em parceria com Raul Seixas?


Eu não estaria hoje fazendo música. Acho que música tem data, as letras que eu fazia eram sucesso no Brasil inteiro. Parei de compor no momento em que estava em alta, porque achei que a música era uma coisa da juventude. Eu já tinha mais de 30 anos e não conseguia acompanhar direito. Achei melhor parar do que ficar fazendo música por fazer. Você tem de ser honesto com o que você se propõe a fazer. Se você se propõe a fazer música, enquanto ela reflete sua alma, está boa, mas depois fazer porque você tem ali uma máquina registradora na máquina de escrever, isso não está com nada. Parei e não me arrependo. Nunca mais fiz música, apesar de ter tido grandes propostas de artistas internacionais, especialmente depois que fui traduzido para outros países e descobriram que eu fui letrista.

O senhor sente falta de escrever músicas?


Eu não sinto a menor falta, quando escrevo eu uso muito bem o ritmo, a simplicidade da letra, que é uma coisa muito difícil. Como eu disse antes, você tem uma coisa que vai ser repetida muitas vezes, então tem de ter o lado poético, sem ser um lado barroco e chato, e precisa saber expressar as ideias em cada linha e cada letra. 


Na Academia Brasileira de Letras, o senhor sente preconceito de alguns pares por ser um autor de sucesso?


Claro que não existe nenhum preconceito, se houvesse preconceito eles não teriam me elegido.

Que lembranças mais o senhor tem de Raul? A morte dele alterou sua rota de vida?


Óbvio que o Raul alterou a minha rota de vida. Antes dele, eu achava que quanto mais complicado melhor, que o ideal de um escritor era ser um gênio incompreendido. Eu tinha essa síndrome de Van Gogh que todo mundo tem, de achar que um dia vai morrer e ser reconhecido. O que é uma bobagem, pois estamos aqui para dividir os sentimentos. E essa é a parte da condição humana. E ele me ensinou muito isso, a falar de uma maneira clara. Uma virada radical na minha vida.

Vivemos hoje em um mundo melhor? O senhor acredita em evolução?


Eu não sei se a gente vive hoje em um mundo melhor, mas certamente em um mundo mais consciente, graças às comunidades sociais, aos meios de comunicação, mais participante. Eu não estou falando do “cliqueativismo”, daquela pessoa que clica em uma petição e acha que vai salvar as crianças em Angola. Mas a gente tem consciência e se decidir agir, agirá. Ou ficará omisso, mas não vai ficar omisso alegando que não sabe o que está acontecendo no mundo.


Qual foi o maior erro da sua vida?


Ih, é uma coleção, de modo que eu não saberia dizer qual foi o maior. Eu errei, erro e errarei. O problema não é errar, mas se deixar paralisar por esse erro.

Algumas de suas atitudes na juventude, muitas delas narradas em O Mago (biografia de Paulo Coelho escrita por Fernando Morais) e extremamente controversas, servem para o senhor hoje orientar os mais jovens?


Se eu não tivesse passado por tudo isso, não chegaria aonde cheguei. Se é uma coisa que não existe na minha cabeça é orientar os mais jovens. As pessoas precisam experimentar suas experiências, sabendo que irão pagar um preço, mas faz parte da juventude a chama sagrada da loucura, que tem de ser exercida. As pessoas muitas vezes querem colocar o jovem em uma caixinha dizendo o que deve ou não fazer. Meu pai também quis fazer isso comigo, e eu me rebelei. E acho que rebelião é algo sagrado na juventude.

Fonte: Zero Hora

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Projeto para "descomplicar" Machado gera racha até entre escritores

"Ousadia!" "Barbaridade!" "Onde é que vamos parar?" A notícia de que a escritora Patricia Secco vai lançar uma versão "facilitada" do conto "O Alienista", de Machado de Assis, provocou uma onda de críticas à autora, que submeteu ao Ministério da Cultura o projeto "Os clássicos e a leitura", para simplificar a linguagem de clássicos da literatura brasileira, fazendo a transposição para uma forma contemporânea.


"A ideia é distribuir os livros para não leitores, para pessoas simples, que sequer sabem quem é Machado de Assis, como o meu eletricista ou o porteiro do meu prédio. Quero aproximar os clássicos dessas pessoas, não distribuir livros em escolas, para crianças. Aliás, nem quero que os jovens leiam isso. É para um outro Brasil, para aqueles que nunca leram e de repente querem ter a oportunidade de conhecer um livro", explica Patrícia.

Entre os escritores, é esperado e compreensível que muitos se declarem contra – afinal, são eles que escolhem as palavras que vão usar em seus próprios livros –, mas no meio de tantas vozes indignadas, há quem dê um crédito para a iniciativa da escritora.

Em sua página no Facebook, o jornalista e escritor Ronaldo Bressane ("Mnemomáquina", "O Impostor") se mostrou a favor do trabalho de Patrícia. "A reforma na educação da literatura passa sim pela atualização da linguagem, mas não só: também pela atualização do currículo, que segue desonesto, capenga e inacessível desde a época em que eu tinha Machado na escola (e não lia, porque Rubem Fonseca tinha mais a ver com a minha realidade). (…) É preferível que o sujeito comece a ler através de uma adaptação bem feita de um clássico do que seja obrigado a ler um texto ilegível e incompreensível segundo a linguagem e os parâmetros culturais atuais. Depois que leu a adaptação, ele pode pegar o gosto, entrar no processo de leitura e eventualmente se interessar por ler o Machadão no original. Agora, dar uma machadada em um moleque que tem PS3, Xbox, 1000 canais a cabo e toda a internet à disposição é simplesmente burrice", provoca.

Fernanda Torres já está confirmada na Flip

Autora do romance Fim, que já vendeu mais de 100 mil cópias, a escritora e atriz Fernanda Torres é a primeira brasileira confirmada para participar da próxima edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), entre 30 de julho e 3 de agosto de 2014.


O romance, publicado pela Companhia das Letras, é o primeiro livro de Fernanda Torres, conhecida pela estabelecida carreira de atriz. De acordo com informações do jornalEl País, durante a Flip ela promoverá o lançamento de um segundo livro, reunindo crônicas publicadas na imprensa.

Além de Fernanda, estão confirmados para a Flip o escritor russo Vladímir Sorókin, o escritor e ativista norteamericano Michael Pollan, e outros quatro escritores latinoamericanos: o chileno Jorge Edwards, o mexicano Juan Villoro, a argentina Graciela Mochkofsky e o peruano Daniel Alarcón.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

A Outra Sombra