quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Histórias de musas da MPB são reveladas em livro da jornalista Rosane Queiroz


Uma verdade sobre a música é universal: as mulheres são grandes inspirações para canções. E quem de nós nunca quis conhecer as almas femininas que inspiraram artistas? Por exemplo, Lígia, aquela de olhos castanhos que metiam mais medo que um dia de sol, era professora primária e, na verdade, nunca andou com Tom Jobim pela praia até o Leblon. No máximo, aceitou uma carona em seu fusca azul.

E a espanhola, da famosa música de Guarabyra e Flávio Venturini? A canção foi inspirada em uma jovem que vendia ácido no trânsito, nos anos 70. E quando o músico Ivan Lins evoca Madalena, sua musa mais célebre, está na verdade se referindo a uma pessoa chamada Vera Regina.

Todas essas músicas e algumas outras têm agora as suas histórias desvendadas por Rosane Queiroz, jornalista apaixonada por música, que também se dedica ao piano e ao canto. Rosane se dedicou durante uma década investigando as histórias por trás das canções que têm como título um nome de mulher ou uma expressão que remeta à figura feminina. Desse trabalho nasceu 'Musas e músicas: a mulher por trás da canção'. O livro é o primeiro dedicado aos mistérios e as tramas que envolvem as amadas e amantes citadas no cancioneiro nacional.

No livro, estão as musas clássicas das paixões avassaladoras, dos corações partidos e dos romances proibidos que dominavam as composições do passado. Mas também tem espaço para as amadas contemporâneas, como a descolada Anna Júlia, do hit da banda Los Hermanos. De acordo com o livro, inclusive, a moça esclarece que o ar blasé com que a descrevem era, na verdade, apenas timidez.

Algumas histórias são surpreendentes, como por exemplo é o caso de 'Pérola Negra', de Luiz Melodia, escrita para a amada que relutava em abandonar o namorado oficial. E há ainda aquelas amparadas em momentos de pura fugacidade, como Dora, que Dorival Caymmi criou ao se encantar por uma passista de frevo, anônima, que avistou da janela de um hotel.


Segundo livro de Rosane, 'Musas e músicas' faz uma visita aos bastidores e aos diferentes estilos e períodos da música brasileira. O livro passeia pela boemia cheia de romantismo da bossa nova, a exuberância dos tropicalistas, o imaginário de excessos e misturas dos anos 80.

Fonte: iBahia

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Nicholas Sparks se separa da mulher


Nicholas Sparks, o escritor americano que fez carreira assinando romances açucarados (e trágicos) como Um Amor para Recordar e Diário de uma Paixão, acaba de perder aquela que chama de sua “musa inspiradora”. O autor confirmou o fim de seu casamento de 25 anos ao site da revista People nesta terça-feira.

“Cathy e eu nos separamos. Essa não é, claro, uma decisão que tomamos sem refletir. Nós continuamos a ser amigos próximos com profundo respeito um pelo outro e amor por nossos filhos. Pelo bem dos nossos filhos, nós consideramos isso um assunto privado”, afirmou em comunicado. Sparks e Cathy se casaram em 1989 e são pais de três meninos e duas meninas gêmeas.

Autor de dezessete romances – dos quais nove foram adaptados para o cinema –, Nicholas Sparks sempre falou de Cathy como sua musa. “Todos os meus romances têm elementos autobiográficos. Quase todos meus personagens femininos são baseados na minha esposa, por exemplo. Ela é inteligente, engraçada, leal, amável, forte, com um coração de ouro. Boa parcela dos meus personagens acaba sendo assim também”, afirmou o escritor ao site de VEJA em 2013. 

Fonte: Veja


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Os melhores livros de 2014


Na ficção, o ano teve bons lançamentos de autores brasileiros, como Evandro Affonso Ferreira e Elvira Vigna, o retorno do tcheco Milan Kundera e a primeira edição nacional de um clássico do russo Vassili Grossman. Veja os dez melhores livros de ficção do ano (e mais abaixo, os cinco melhores de não ficção):

‘De repente, uma batida na porta’, de Etgar Keret (Rocco): Um dos principais nomes da atual literatura israelense e destaque da Flip deste ano, o contista Etgar Keret teve um livro publicado no Brasil pela primeira vez, em tradução de Nancy Rozenchan. A inventividade e o humor nonsense do escritor brilham em 38 histórias, como a que imagina uma terra habitada pelas mentiras que os homens contam ou a que narra o destino insólito de um homem que, segundos antes de morrer, pede a um anjo a paz mundial.

‘A festa da insignificância’, de Milan Kundera (Companhia das Letras): Depois de mais de 10 anos sem publicar, o tcheco Milan Kundera voltou à ficção com um romance sobre quatro velhos amigos parisienses em busca de um sentido para suas vidas. Traduzido por Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca, o novo livro do autor de “A insustentável leveza do ser” retrata a insignificância como “a essência da existência”. E não deixa de falar de política, com alusões frequentes a Stalin e à história recente da Europa.

‘Graça infinita’, de David Foster Wallace (Companhia das Letras): Brasil em tradução de Caetano W. Galindo quase 20 anos depois de lançado nos EUA, é uma das mais ambiciosas obras de ficção das últimas décadas, tanto pela extensão (mais de 1.100 páginas) quanto pela complexidade. É também uma reflexão comovente sobre o vício, o individualismo e a obsessão pelo entretenimento, com uma prosa extravagante e bem-humorada.

‘Os luminares’, de Eleanor Catton (Biblioteca Azul): Por este livro de 888 páginas, a neozelandesa, presente na Flip deste ano, tornou-se a mais jovem ganhadora do Booker Prize, em 2013, aos 28 anos. Ambientado na Nova Zelândia do século XIX, em meio à corrida do ouro no país, o romance de tintas vitorianas, traduzido por Fabio Bonillo, tem uma arquitetura complexa inspirada pela astrologia: são 12 capítulos precedidos por mapas astrais que refletem o curso das vidas de seus 12 protagonistas.

‘Paradiso’, de José Lezama Lima (Edições da Estação Liberdade e da Martins Fontes): Depois de uma disputa judicial pelos direitos de publicação no país, a obra-prima do cubano Lezama Lima ganhou duas traduções no Brasil: uma pela Estação Liberdade, a cargo de Josely Vianna Baptista, e outra pela editora Martins Fontes, de Olga Savary. Lançado em 1966, o romance acompanha os anos de formação do poeta Cemí, descritos com uma uma linguagem radical que fez dele um clássico do século XX.

Fonte: O Globo (matéria completa aqui)


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Três lançamentos encerram reedição da obra completa de Rubem Fonseca


O escritor e roteirista Rubem Fonseca acaba de ter toda a sua obra literária reeditada pela Nova Fronteira. Com os recentes lançamentos de O Buraco na Parede, A Confraria dos Espadas e O Romance Morreu, a editora encerra a reedição da obra completa do autor.

As novas edições trazem posfácio assinado por Sergio Augusto, curador da coleção do autor, e textos de crítica publicados em diferentes veículos de imprensa.

Este ano, Rubem Fonseca venceu o Prêmio Jabuti 2014 na categoria Contos e Crônicas com o livro Amálgama.

Fonte: Saraiva

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Literatura teve morte de grandes autores em ano de pouco crescimento


Mais do que por grandes lançamentos, o ano de 2014 foi um ano especialmente triste para a literatura, que perdeu, num único mês, em julho, João Ubaldo Ribeiro, Ariano Suassuna, Ivan Junqueira, Rubem Alves e Nadine Gordimer. Em abril, foi o colombiano Gabriel García Márquez. Em novembro, Manoel de Barros.

A Academia Brasileira de Letras recebeu seus novos imortais: Antônio Torres, Zuenir Ventura, Ferreira Gullar e Evaldo Cabral de Mello. Também imortal, o africanista Alberto da Costa e Silva recebeu o Prêmio Camões, o mais importante da literatura lusófona. O ilustrador Roger Mello ganhou o Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil e juvenil. O escritor e crítico literário Silviano Santiago, o Prêmio José Donoso, e a poeta Adélia Prado, o canadense Griffin.

Não houve unanimidade nas premiações brasileiras e o destaque foi para Ana Luisa Escorel, que inscreveu seu romance de estreia, Anel de Vidro, na categoria de autores veteranos do Prêmio São Paulo e se tornou a primeira mulher a vencer na categoria principal. Destaque, também, para Laurentino Gomes que venceu pela terceira vez o Jabuti de livro do ano de não ficção por sua trilogia best-seller sobre a história do Brasil. E para a criação do Prêmio Saraiva de Música e Literatura - para trabalhos originais.



O mercado editorial foi surpreendido por algumas notícias. A aquisição da Santillana pelo Grupo Penguin Random House refletiu no Brasil com a fusão da Companhia das Letras e Objetiva/Alfaguara. O Grupo Sextante comprou 50% da gaúcha L&PM. A Amazon começou a vender livros físicos no país, lançou seu serviço de aluguel de e-books sem o apoio de grandes editoras e lidera o comércio de livros digitais por aqui, que ainda é pequeno, mas vem crescendo. Segundo a pesquisa Produção e Venda do Setor Editorial, feita pela Fipe e anunciada este ano, o faturamento das editoras com o e-book saltou de R$ 3,8 milhões em 2012 para R$ 12,7 milhões em 2013 - um indício de que 2014 verá números ainda maiores. Pensando nisso, a Saraiva lançou o Lev, seu e-reader.

Mesmo com esses números, este foi, mais uma vez, um ano sem crescimento. Essa crise, a ameaça da Amazon, que chegou com tudo praticando preços que o mercado não consegue acompanhar, e a relação desigual mantida entre editoras e grandes redes de livrarias e entre editoras e livreiros independentes, levou de volta a lei do preço fixo do livro ao debate.

O cenário, no entanto, não impediu que novas editoras surgissem em 2014. Dois destaques: a Poetisa, que vai dar prioridade a boas traduções, e a Mundaréu, que se dedicará, por ora, a livros de história, filosofia e ficção alemã.

O Brasil passou discreto pela Feira do Livro de Frankfurt um ano após ter sido o convidado de honra e fez bonito na Feira do Livro Infantil de Bolonha, onde foi homenageado. Centenários como o de Julio Cortázar, Bioy Casares e da Primeira Guerra Mundial e ainda os 50 anos do Golpe Militar motivaram o lançamento de dezenas de livros. Em São Paulo, uma caneta que pertencia a Graciliano Ramos foi furtada antes da abertura de exposição dedicada ao autor, no Museu da Imagem e do Som. Em Porto Alegre, vida e obra de Moacyr Scliar foram contadas na mostra O Centauro do Bom Fim. E Belo Horizonte expôs cartas de Carlos Drummond de Andrade na exposição Quase Poema.

O Vale Cultura levou novo ânimo e consumidores para as livrarias - e editores e livreiros seguem na torcida para que ele seja usado em massa para a compra de livros. E o brasileiro, por sua vez, torce para que iniciativas como a da escritora Patrícia Engel Secco de simplificar obras de autores clássicos, como Machado de Assis, autorizada pelo Ministério da Cultura a captar R$ 1,5 milhão e que tanta polêmica causou este ano, não se repitam.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Selo Literário João Ubaldo Ribeiro anuncia obras e autores

A Fundação Gregório de Mattos (FGM) divulgou recentemente, o resultado do Edital do Selo Literário João Ubaldo Ribeiro.
Foram selecionados os livros: A Devoção do Diabo, de Ordep José Trindade Serra (contos); Crônicas Hipermodernas, de Márcia Raquel Carvalhal Gonzalez (crônicas); Partiste, de Paulo Henrique Correia Alcântara (dramaturgia); O Circo da Alegria, a Semente da Felicidade, Maria Betânia dos Santos (literatura infantil); Mar Interior, Renato de Oliveira Prata (poesia); Alzira Está Morta (romance): Ficção Histórica no Mundo Negro do Atlântico, de Goli Almerinda de Sales Guerreiro; Canudos: A Luta, de José Guilherme da Cunha (republicação); e O Sangue é Agreste: Os Livros do Sertão, de Ian Fraser Lima (prêmio jovem autor).

As obras vão compor a Coletânea 2014 do selo, cuja proposta é fomentar o mercado literário em Salvador, com resgate da tradição em lançar obras que exaltam a cultura brasileira.


“É uma honra inaugurar o Selo Literário João Ubaldo Ribeiro na categoria contos. Ele, que era um cronista extraordinário”, disse Ordep Serra, membro da Academia de Letras da Bahia.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Livro reúne cartas curiosas de Fidel Castro, Elvis Presley e até Jack, o Estripador



Na semana em que o mundo recebe boquiaberto a notícia da retomada das relações entre Cuba e Estados Unidos, depois de 53 anos, soa ainda mais curioso lembrar que um dia, quando nem sequer imaginava embrenhar-se na Sierra Maestra, Fidel Castro escreveu uma carta a um presidente americano pedindo uma nota de dez dólares. No dia 6 de novembro de 1940, quando contava viçosos 14 anos (e portanto 13 anos antes de liderar a Revolução Cubana), o rapazola Fidel mandou uma cartinha a Franklin Delano Roosevelt com o curioso pedido. Dizia ele, numa elegante caligrafia tombada à direita: “Meu bom amigo Roosevelt: não sei muito inglês, mas sei o bastante para escrever ao senhor. Eu gosto de ouvir rádio e estou muito contente, porque escutei que o senhor vai ser presidente por um novo período. Se for do seu agrado, mande-me uma nota verde americana de dez dólares, porque eu nunca vi uma nota verde americana e gostaria muito de ter uma. Muito obrigado, adeus, seu amigo, Fidel Castro”.

Encontrado em 1977 por pesquisadores do National Archives and Records Administration, o equivalente nos EUA ao nosso Arquivo Nacional, e citado em “Fidel Castro, uma biografia consentida” (2001), de Claudia Furiati, o documento é uma das centenas de cartas extraordinárias que o pesquisador americano Shaun Usher reúne desde 2009, quando fundou o “Letters of note”, uma espécie de museu on-line. O projeto fez tanto sucesso na internet (1,5 milhão de visitas por mês) que virou um livro homônimo, cuja edição brasileira acaba de chegar às livrarias com o título “Cartas extraordinárias: a correspondência inesquecível de pessoas notáveis”, pela Companhia das Letras. Nessa edição, tão caprichada quanto as maiúsculas de Fidel, Shaun seleciona as 125 que considera mais fascinantes. As que conseguiu autorização, publica em fac-símile, com um texto de introdução espirituoso para cada exemplo. O autor defende o valor histórico dos documentos: “Todas vão transportá-lo através do tempo com muito mais eficiência que o livro de história comum. Não imagino melhor maneira de conhecer o passado do que a correspondência geralmente sincera de quem viveu nele”, escreve.

Há cartas de anônimos, de personalidades históricas, de celebridades do showbiz, de personagens de desenho animado. Há cartas desconcertantes, como um bilhete de 1888 cheio de erros de ortografia enviado por Jack, o Estripador, ao delegado que tentava capturá-lo em Londres, dizendo que tinha acabado de fritar metade de um rim (e a outra metade ia numa caixinha junto à carta). Estão lá ainda o telegrama em que a empresa dona do Titanic afirma que não há risco de morte na viagem do navio, em 1912, e a carta a ser lida em rede nacional em 1969 caso o homem não voltasse da Lua.

É quase um romance epistolar involuntário. Na carta em que o gerente de produto das sopas Campbell agradece a “preferência” do artista plástico Andy Warhol pela marca, ele lamenta não ter dinheiro suficiente para comprar uma das obras do artista. Em 1996, o músico Nick Cave implorou que a MTV o retirasse de quaisquer listas de indicados a premiações, e o texto que escreveu para o canal é tão poeticamente turrão que também foi pinçado por Shaun: “Minha musa não é um cavalo e eu não estou em nenhum páreo”. Entre as mais curiosas, há uma do músico Louis Armstrong a um fã seu, um soldado americano que servia no Vietnã, contando como ouvia música em lugares menos distintos do que a guerra. Conta Armstrong, sem qualquer cerimônia, que um dos lugares preferidos para o deleite sonoro era o banheiro, “sentado no trono, sob efeito do ‘Swiss Kriss’” (uma marca de laxante).

Há missivas mais edificantes, como a do cientista Francis Crick explicando ao filho, de 12 anos, em 1953, que naquele dia em seu trabalho tinha descoberto a “linda” estrutura do DNA, “a molécula da vida”. O texto é tão comovente que a carta foi a mais cara a ser vendida em leilão, arrecadando US$ 5,3 milhões. Também estão lá cartas de amor cheias de tristeza: em junho de 1940, a mulher de Winston Churchill escolheu as palavras que tinha à mão para dizer ao marido que ele não era mais tão gentil como antes.