terça-feira, 9 de maio de 2017

Jojo Moyes defende que suas histórias de amor são também políticas

Escritora que mais vendeu no Brasil no ano passado vem ao país pela primeira vez


“O que aconteceu com a minha vida?” Essa é a pergunta que a escritora britânica Jojo Moyes se faz todos os dias ao acordar, desde que seu romance “Como eu era antes de você” (Intrínseca), de 2012, se tornou um best-seller mundial e foi adaptado para o cinema. Apesar de ter sido lançado no Brasil em 2014, o livro virou uma febre no país apenas no ano passado, na esteira do filme protagonizado por Sam Claflin e Emilia Clarke. Foram 352.330 exemplares vendidos — mais que o dobro de “Harry Potter e a criança amaldiçoada” (Rocco) —, garantindo o posto de campeão de vendas em 2016. “Depois de você” (Intrínseca), a continuação de “Como eu era...”, ficou em terceiro lugar, e Jojo foi a autora mais vendida no ano. Seus 11 livros publicados no país somam mais de 2 milhões de exemplares vendidos.

A autora repetiu mentalmente a mesma pergunta ao acordar, ontem, na suíte de um hotel cinco estrelas na Zona Sul. A vista da Praia de Ipanema nas primeiras horas da manhã deixou Jojo embasbacada e ela não conseguiu dormir mais. Na sua primeira visita à América do Sul, para dois encontros com fãs promovidos por sua editora no Rio e em São Paulo, a escritora, de 47 anos e mãe de três filhos, ainda se surpreende com a vida de autora popstar.

— Nas redações da imprensa inglesa, costuma-se dizer: seja legal com todo mundo quando você está subindo, porque você não sabe quem vai encontrar quando estiver descendo. É como eu me sinto em relação à vida — diz Jojo, que trabalhou durante dez anos como jornalista antes de se dedicar exclusivamente aos romances, em entrevista ao GLOBO, na tarde de ontem, na suíte onde está hospedada. — Esta é uma vida muito legal, as pessoas são muito legais com você. Mas, quando você é mais velho, sabe que teve muitas experiências antes de chegar ali e que isso pode acabar no dia seguinte.

SUCESSO TARDIO

A fala realista da autora não é à toa. O sucesso chegou na sua vida quando ela já não o esperava mais. Após oito livros lançados, seu editor não gostou da ideia para “Como eu era antes de você”: uma ex-garçonete consegue um emprego de cuidadora de um homem rico, inteligente e bonito que ficou tetraplégico após um acidente de moto, os dois se apaixonam, mas o mocinho não suporta a sua condição e decide pôr fim à própria vida por meio da eutanásia. A trama não tem um final feliz e aborda um assunto tabu em todo o Ocidente. Quem encorajou Jojo a seguir em frente foi seu marido, com uma frase exemplar do humor negro britânico: “Esse será o livro que finalmente vai acabar com a sua carreira”. Não só não acabou com a carreira dela como deu origem a duas continuações. Após “Depois de você”, Jojo está terminando de escrever o terceiro e último volume protagonizado pela ex-garçonete Louisa Clark.

— Eu não esperava ter nenhum leitor para “Como eu era antes de você”. Eu consigo entender por que meu editor não gostou muito da minha ideia. Eu não sabia se o livro seria publicado. Meu marido me encorajou a escrever o livro e depois pensar nisso. Eu falei que isso significava ficar um ano trabalhando sem ganhar nada. Ele respondeu que a decisão era minha. Eu escrevi “Como eu era antes de você” com a certeza de que, se ninguém quisesse publicar, eu ia colocá-lo na internet. Era uma história que eu precisava contar — diz Jojo.

A autora afirma ter ficado muito surpresa com a repercussão do livro no Brasil. Por ser um país bastante religioso, um romance que aborda a eutanásia poderia afugentar potenciais leitores. Mas não foi isso que aconteceu. Jojo afirma que foi muito cuidadosa ao escrever a história e arrisca uma explicação para tamanho sucesso:

— Eu nunca achei que o livro fosse se tornar popular num país como o Brasil. A primeira coisa que meu pai me disse quando escrevi o livro foi: “Você vai arrumar problemas”. Eu fui muito cuidadosa na escrita, busquei olhar a situação por todos os ângulos. Eu estava interessada em pensar sobre quem vive uma situação desse tipo, se você é alguém que decide colocar fim na própria vida pela eutanásia ou ama alguém que toma essa decisão. O que acontece com as pessoas que vivem uma situação dessas? Não se trata de certo ou errado.

HERANÇA JORNALÍSTICA

Jojo acredita que herdou do jornalismo esse interesse pelas experiências extraordinárias das pessoas comuns. A maioria de suas protagonistas são mulheres da classe trabalhadora. Cuidadoras, faxineiras, garçonetes, que, em geral, aparecem na literatura apenas como vítimas de assassinatos ou obcecadas por bolsas de marca, segundo ela. A autora conta que se identifica com as suas personagens.

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— É muito importante para mim contar essas histórias porque eu fui essa mulher. Hoje não mais, mas eu já fui como elas — lembra Jojo. — Se você escreve ficção nos tempos atuais e ignora o fato de que, para muitas pessoas, ganhar dinheiro suficiente para viver é uma preocupação diária, então não acho que você esteja refletindo a vida. Eu tento narrar a vida comum, mas ao mesmo tempo introduzir alguns elementos dos contos de fada, da magia, do extraordinário. É nisso que eu estou interessada.

Bastante ativa nas redes sociais, não é difícil encontrar publicações da autora sobre temas quentes da política atual, como as eleições na França, anteontem, a disputa partidária inglesa e a saída do Reino Unido da União Europeia. Jojo recusa o rótulo de autora de “histórias de amor” e afirma que a política está sempre presente. A cada vez que começa a escrever um romance, ela pensa que tipo de mensagem aquela história vai passar:

— O pessoal é político. Se escrevo um livro de não ficção sobre como os ricos estão ficando mais ricos e os pobres, mais pobres, quem vai ler? E se eu escrevo um livro sobre uma mulher com um filho talentoso que merece uma chance melhor na vida, e um homem que teve todas as oportunidades, mas não conseguia ver isso? O que acontece quando essas duas visões de mundo se encontram? — questiona, referindo-se à trama de “Um mais um” (Intrínseca). — Na Europa, há uma enorme falta de empatia com a posição do outro. A ficção tem o papel de promover a empatia. Eu não consigo imaginar como ser um autor e não tocar na política.


Fonte: O Globo

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Eduardo Cunha, o editor

O ex-parlamentar abriu uma editora dois dias antes de ser preso no Paraná


A Folha de S. Paulo revelou, em matéria publicada no último domingo (8), que o ex-parlamentar Eduardo Cunha abriu uma editora dois dias antes de ser encarcerado pela Polícia Federal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Também antes de ser preso – e depois de cassado -, Cunha vinha tendo negociações com editoras para a publicação de seu livro de memórias que, segundo as palavras do próprio, “abalaria a República”. Segundo a reportagem, a Eduardo Cunha Atividades Intelectuais, nome dado à empresa cuja atividade principal é a edição de livros, foi criada no dia 17 de outubro do ano passado, no mesmo dia em que Cunha teve um encontro com Paulo Tadeu, proprietário da Matrix para negociar a publicação do seu livro. De acordo com o que disse o advogado do ex-deputado à Folha, a editora foi aberta para “administrar a publicação do livro”.

Nos últimos meses, os leitores do PublishNews acompanharam a saga de Eduardo Cunha contra o Grupo Editorial Record. O ex-parlamentar levou a editora aos tribunais pedindo que fossem suspensas a distribuição e comercialização do livro Diário da cadeia, escrito sob o pseudônimo de Eduardo Cunha. Na justificativa, a banca composta por Cunha dizia que era público o interesse do autor da ação em escrever um livro e que o uso do pseudônimo na obra poderia levar o leitor a entender que o livro publicado pela Record seria o mesmo que está sendo preparado por Cunha. O ex-parlamentar não obteve sucesso e o livro está sendo comercializado normalmente nas melhores casas do ramo.

Fonte: PublishNews




Rita Lisauskas, blogueira do 'Estadão', lança o livro 'Mãe Sem Manual'

Obra é inspirada em suas experiências maternais


Quando uma mulher se torna mãe, uma das coisas que ela mais ouve são conselhos de pessoas próximas - ou não - de como agir ‘corretamente’ com o bebê. Como se o que deu certo para elas fosse a fórmula mágica a ser seguida por outras mães. Não é assim. Algo que funciona com uma não pode necessariamente funcionar com outra. Para se aprofundar nesse e em outros temas da maternidade real, a jornalista Rita Lisauskas, de 40 anos, e mãe de Samuel, de 7, se dedicou, desde o ano passado, a seu livro Mãe Sem Manual (Ed. Belas Letras; R$ 39), que foi lançado sábado, 6, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. 

Com Mãe Sem Manual, Rita diz que quer que as mães se sintam abraçadas. “Nada na vida é só querer. Você pode ter toda a informação, pode ir atrás, e pode não rolar para você. Acho que o livro vem para falar isso. Estou te falando que é isso e aquilo, mas, se não rolar, tudo bem, não dá para fazermos tudo do jeito que planejamos”, defende Rita, em entrevista ao Estado.

“Acho que tem duas diferenças: uma coisa é você ser enganada, perseguir falsos mapas e cair lá no final; outra é você ter informação e, mesmo assim, não dá para você. Ou, então, você pode até não querer: sei que é melhor, mas para mim não dá. ‘Ah, você tem de tentar’, mas, de repente, você não quer. E aí? Se a gente fala ‘meu corpo, minhas regras’, a gente fala isso para tudo. Não estou aqui para julgar ninguém, estou para dar informação. Tentei deixar isso claro: existem mulheres que não querem e ok, e tem que respeitar. Porque, se a ideia é ser sem manual, quem sou eu para falar que tem de ser de um jeito ou de outro?”, emenda a jornalista, que é blogueira do portal do Estado, criadora do blog Ser Mãe é Padecer na Internet.

E isso envolve desde decisões mais corriqueiras quanto mais importantes - e que, muitas vezes, geram discussões mais acaloradas nas redes sociais -, como parto normal ou cesárea. “Claro que ninguém é ‘menos mãe’ ou ‘mais mãe’ porque teve um parto ou outro, isso é bobagem”, escreve Rita no capítulo O Fla-Flu do Parto. 

Com divertidas ilustrações de Thaiz Leão, do projeto Mãe Solo, o livro foi escrito por Rita a partir de suas experiências como mãe, mas também com ajuda de depoimento de outras mães e de informações obtidas com especialistas de diversas áreas, como pediatras, obstetras e advogados. 

Com textos em tom de cumplicidade e bem-humorados, feitos especialmente para o livro, Rita segue uma espécie de ordem cronológica na vida da mãe, desde quando ela descobre que está grávida, passando pela amamentação, pós-parto, a volta ao trabalho, e, encaminhando, nas páginas finais, para os 365 dias da mulher como mãe - ou, como diz Rita, “o primeiro ano de aniversário da mãe” - e a importância do pai nesse contexto - “ele é o parceiro dessa mulher, não é o cara que ajuda, ele é o cara que tem de ir junto”. 

Objeto místico. Para reforçar a ideia de que a vida da mãe não tem manual, no capítulo Era Uma Ótima Mãe, Até Que Meu Filho Nasceu, Rita conta que ela e o marido tinham decidido que o filho, carinhosamente chamado de Samuca, não iria usar chupeta. Até que em uma madrugada, às 3 horas da manhã, nada o fazia se acalmar. Ela, então, começou a jogar no chão tudo o que estava no guarda-roupa em busca da chupeta perdida que uma amiga, não sabendo da decisão do casal, tinha dado de presente. E eis que encontrou o “objeto proibido e místico”. “As pessoas que são privadas de uma noite boa de sono são capazes de tudo, até de abrir mão de suas convicções pessoais”, ela escreve. E, algumas linhas adiante, faz uma metáfora certeira: “Maternidade é como o Waze: é preciso recalcular a rota o tempo todo”.

Um dos temas de Mãe Sem Manual que mexe particularmente com Rita é a amamentação. No capítulo Quem Ensina as Mães a Amamentar? Ninguém, ela relata como a falta de informação sobre o assunto, na época do nascimento do filho, a privou de amamentar seu Samuel como desejava. “A discussão sobre o parto está ao alcance de todo mundo, e a gente ainda está falando menos da amamentação. Então, às vezes, as mulheres estão lutando pelo parto e esquecem que depois tem a amamentação”, diz Rita. “Se, na época que seu filho nasceu, existissem as comunidades de mães (nas redes sociais) das quais participo hoje, eu, por exemplo, teria procurado ajuda para amamentar, porque ninguém me falou nada sobre amamentação durante meu pré-natal. Achei que era colocar meu filho no peito e ele ia mamar.” 

O livro de Rita segue na esteira de seu blog, que, por sua vez, nasceu de uma série de postagens que fazia no Facebook. E o que ela diria hoje para as mães de primeira viagem? “Eu diria: estamos juntas, é difícil para todo mundo, é maravilhoso também. Eu não queria ir para o lado do terrorismo, mas tudo o que é real é verdadeiro. Uma das únicas coisas que os palpiteiros falam que é real é aquela coisa do ‘aproveita que passa rápido’.” 

Fonte: O Estadão

terça-feira, 2 de maio de 2017

A insustentável (e de cara nova) leveza do ser

Companhia das Leras publica nova edição de ‘A insustentável leveza do ser’, de Milan Kundera


Em A insustentável leveza do ser (Companhia das Letras, 344 pp, R$ 54,90 – Trad.: Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca), que é sem dúvida um dos romances mais importantes do século XX, ficção e filosofia se entrelaçam por meio da história de quatro adultos capazes de quase tudo para vivenciar o erotismo que desejam para si. Como limite, encontram um tempo histórico politicamente opressivo e o caráter enigmático da existência humana. Infidelidade, amor, compaixão, eterno retorno, acaso e arbítrio são alguns dos grandes temas que Milan Kundera articula num romance de ideias e paixões, em que o leitor percorre conceitos filosóficos de braços dados com cada um dos personagens — Tereza, Tomas, Sabina e Franz — e acompanha suas histórias de vida com a profundidade de um estudo. O resultado é uma obra em tudo original, um clássico da literatura contemporânea.

Fonte: PublishNews