sexta-feira, 27 de junho de 2014

Rocco libera trecho exclusivo do novo livro de Robert Galbraith

A nova investigação do detetive Cormoran Strike, e de sua fiel escudeira Robin Ellacott, chega ao Brasil em novembro. Confira a sinopse e leia trecho exclusivo do segundo romance de Robert Galbraith, pseudônimo de J.K. Rowling.


The Silkworm

Quando do desaparecimento do romancista Owen Quine, sua esposa procura o detetive particular Cormoran Strike. Inicialmente, ela pensa apenas que o marido se afastou por alguns dias — como fez antes — e quer que Strike o encontre e o leve para casa.

Mas, à medida que investiga, fica claro para Strike que há mais no sumiço de Quine do que percebe a esposa. O romancista acabara de concluir um livro retratando maldosamente quase todos que conhece. Se o romance fosse publicado, a vida deles estaria arruinada — assim, muita gente pode querer silenciá-lo.

E quando Quine é encontrado brutalmente assassinado em circunstâncias estranhas, torna-se uma corrida contra o tempo entender a motivação de um assassino impiedoso, um assassino diferente de qualquer outro que Strike tenha encontrado na vida…


Leia trecho exclusivo aqui!

Mulher que dormiu com vários homens não faz sexo há 3 anos

Há pelo menos três anos a australiana de 36 anos que afirma já ter dormido com 10 mil homens diz estar sem sexo. Gwyneth Montenegro está lançando o livro “10.000 Men and Counting” ("10 mil homens e ainda contando", na tradução livre) no qual relata sua experiência de 12 anos trabalhando como garota de programa de luxo, sua dependência de drogas e álcool e o abandono.


Em entrevista ao site PAGE NOT FOUND, antes de iniciar um tour pelos Estados Unidos e pela Europa para lançamento do livro, Gwyneth conta como enfrentou o bullying na adolescência e ingressou na carreira da prostituição, superou um estupro coletivo, a morte do pai e como se tornou uma piloto comercial, oradora motivacional, consultora especializada em programação neurolinguística e empresária.

PAGE NOT FOUND: Quando você teve a ideia de escrever um livro sobre sua história? 

GWYNETH MONTENEGRO: Decidi escrever esse livro há uns três anos, foi um trabalho muito introspectivo porque resgatei todos os sentimentos e segredos que vinha guardando durante muito tempo. Escrevi todo o livro em oito meses, me dedicando em tempo integral para isso. Foi uma experiência catártica, eu mergulhei nas minhas emoções e deixei as coisas fluírem. Esse processo foi realmente poderoso e me deu mais confiança em mim mesma.

PNF: Como você se tornou uma acompanhante de luxo?

GWYNETH: Eu já tinha a experiência com a dança nas boates e isso me ajudou muito. Depois que você vende o seu corpo uma vez você pode vender outras 500 que vai ser da mesma forma. É claro que beber e usar drogas fazia parte daquele mundo e eu me lembro de me embriagar para fugir da minha realidade. Eu me lembro que um dos clientes mais frequentes sempre usava cocaína e eu acabei indo na mesma onda. 

PNF: Você foi vítima de um estupro coletivo. Como foi isso? 

GWYNETH: Eu fui estuprada depois de ser abandonada pelos meus amigos em uma boate. Alguém colocou alguma droga na minha bebida e foi quando tudo aconteceu. Eu não tinha muita consciência do que estava acontecendo, mas não conseguia fazer nada para impedir. Foi uma experiência terrível porque eu cresci em uma família cristã, minha primeira relação sexual foi teoricamente tarde para os dias de hoje, eu tinha 17 anos. O estupro coletivo ocorreu quando eu tinha acabado de fazer 18. Foi uma experiência realmente apavorante pra mim. Eu já tinha sofrido muito bullying na escola, era o “patinho feio”, alta demais, inocente e tímida. Daí, quando os meus amigos me deixaram sozinha naquela boate e eu acabei sendo estuprada. Perdi todo a confiança na raça humana. Reviver tudo isso para escrever o livro foi muito doloroso, mas, ao mesmo tempo, foi um resgate do que eu sou e do que eu me tornei.

PNF: Quando você decidiu parar?

GWYNETH: Teve um momento no qual eu trabalhava para a agência de veículos Broco e também para uma agência de acompanhantes de luxo. Eu tinha uns 24 anos e estava realmente viciada em drogas. Um dia estava bem chapada e sofri um acidente de carro horrível. Quase morri. Sério, eu encarei a morte e esse foi o estopim para parar com a vida que eu levava. Foi como uma advertência para me mostrar o quanto a vida é curta. Esse acidente foi uma experiência tão apavorante que eu acabei contando para os meus pais tudo o que eu vinha fazendo, quando eles me visitaram no hospital. Foi muito doloroso pra mim e para eles, porque eles sempre foram muito católicos, mas não me nunca julgaram. Após o acidente criei um medo tremendo para dirigir carros, mas, por outro lado, resolvi estudar para pilotar aviões. Então, seis meses depois do acidente eu tirei a minha carteira de aviação. Eu estava apaixonada por voar, até que tive um sério problema de saúde e tive que retirar o rim. Com isso, perdi o meu certificado para pilotar aviões por uma questão médica e de segurança com os passageiros. Isso me devastou e eu voltei a trabalhar como acompanhante. 

PNF: Como foi esse retorno?

GWYNETH
: Eu estava com 30 e poucos e pensei: "Se eu for voltar para essa vida vai ser para fazer meu pé de meia". Então eu comecei a trabalhar e guardar e investir meu dinheiro. Hoje eu tenho uma propriedade e há três anos parei de fato com esse trabalho. 

PNF: Você namorou alguém nesses 12 anos?

GWYNETH
: Não, na verdade era muito difícil ter um relacionamento sério com alguém quando você trabalha como uma acompanhante de luxo.


PNF: Você realmente transou com 10 mil homens ou você só usou o número como um símbolo para o livro?

GWYNETH: Não é um número simbólico. Eu cheguei a esse número baseada nos impostos que eu pagava todas as vezes que me encontrava com um cliente. O valor dos impostos pagos me levou à quantidade. Quando fiz as contas e cheguei a esse número pensei: “Uau, isso é muita coisa. Me doeu, sabe?”. 

PNF: E você se lembra de todos eles ou de algum em especial?

GWYNETH: Não me lembro de todos, não mesmo. Claro que os mais frequentes, os mais engraçados ou os mais estranhos não dá para esquecer. 

PNF: Em seu livro você descreve sobre as escandalosas atividades e orgias sexuais as quais você se submeteu. Que tipo de coisa você fazia? 

GWYNETH: Eu era muito jovem, sabe. Comecei muito tímida e, aos poucos, fui ganhando segurança comigo mesma e passei a entregar serviços além do que os meus clientes estavam esperando. Muitos homens choravam e queriam apenas um pouco de intimidade, não era uma coisa tão mecânica ou só pelo sexo. Eles realmente querem conhecer a mulher que está ali e era assim que aconteciam as coisas. Algumas vezes eles tinham uma fantasia e eu as realizava, afinal aquilo era parte do meu trabalho. Encontros bissexuais eram comuns, eu ia para cama com um outro homem e uma garota. Nas orgias participavam cerca de quatro, cinco homens. Não mais do que seis. Era comum também sempre ter uma outra mulher nesses encontros. Nunca fiz sexo sem camisinha e fazia sempre testes mensais para checar se tinha alguma doença sexualmente transmissível. 

PNF: Qual foi o pedido mais estranho que você recebeu?

GWYNETH: Oh, meu Deus! Um dos meus clientes quis se vestir de mulher, ele colocou lingerie e até mesmo maquiagem. Nós estávamos em um quarto de hotel que tinha uma varanda para a área da piscina e depois de um tempo percebemos que todo mundo podia nos ver. Foi muito engraçado e constrangedor ao mesmo tempo. Foi um show de exibicionismo, meu Deus. Foi embaraçoso, mas eu conto coisas muito mais escandalosas no livro.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Resumo do livro A Outra Sombra - Blog Vida Estudantil


O livro A Outra Sombra nos proporciona a oportunidade de refletirmos sobre alguns conceitos e paradigmas que defendemos ao longo da nossa existência, como a morte, a vida, a pós-morte, o amor, a espiritualidade, enfim, sobre um conjunto de ideias que permeiam a nossa mentalidade sobre a existência humana. A trama é composta por trechos de acontecimentos dispostos aleatoriamente ao longo da narração, mesclando o tempo presente ao passado numa articulação que prende o leitor do começo da primeira página ao final da última.

O protagonista e narrador da história é o jovem e sonhador Vinícius. Como a maioria dos rapazes da sua idade gostava de... Continue lendo aqui!



Estante Virtual não voltará atrás na decisão de aumentar tarifa

Desde o início do mês há uma agitação entre pequenos livreiros e donos de sebos, que se rebelaram contra as novas regras e tarifas da Estante Virtual, principal site de venda de livros usados do País.


Uma petição online pedindo uma “Estante Virtual mais justa” já foi assinada por quase 7 mil livreiros e simpatizantes da causa. Eu queria ter falado com o André Garcia, proprietário do portal, para a nota que saiu na Babel, mas, segundo sua assessoria de imprensa, ele estava viajando e poderia mandar as respostas no começo da semana.

Ele conta que depois da movimentação dos livreiros, ele e sua equipe voltaram atrás em algumas decisões. Mas foi taxativo: “A tarifa voltar para 6% é algo que realmente não faz qualquer sentido, e não vai acontecer. Não há como ter uma empresa com 98,4% a mais de custos, e a mesma tarifa.”

Barnes & Noble vai virar duas empresas: uma para o tablet Nook e outra para livros

A Barnes & Noble, uma das maiores redes de livrarias dos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira que dividirá suas operações em duas companhias diferentes: uma dedicada à venda de livros físicos, em crise mas ainda lucrativa, e outra apenas para o Nook, seu leitor digital criado em 2009 para concorrer com o Kindle da Amazon. A notícia foi dada pelo CEO Michael Huseby durante a apresentação dos resultados financeiros do último quadrimestre.


— Nós concluímos que esses dois negócios terão mais chances de aumentar a remuneração dos acionistas se capitalizados e operados separadamente — afirmou Huseby.

A Amazon, com o Kindle, já consolidou sua posição de e-reader preferido dos americanos e o Nook rendeu a Barnes & Noble perdas expressivas, que culminaram na troca de comando da companhia no ano passado. E as chances para o seu leitor digital parecem cada vez menores: o faturamento com o Nook caiu 22% no quadrimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior, um prejuízo de aproximadamente 25 milhões de dólares.

Na prática, a rede de livrarias já tratava seu leitor digital como uma divisão à parte, já que o tablet recebeu investimentos da Microsoft e, recentemente, foi acertada uma parceria com a Samsung para a fabricação do tablet “Samsung Nook”. Durante conferência com analistas, os executivos da Barnes & Noble confirmaram também que os modelos Nook HD e Nook HD+ não serão mais produzidos, mas o estoque continuará à venda até que acabe.

terça-feira, 24 de junho de 2014

O dia em que Baudelaire chamou Victor Hugo de “besta”

Carta inédita confirma que autor elogiava colega em público, mas o destratava em privado


Sempre se soube que o poeta Charles Baudelaire nutria sentimentos ambíguos em relação à seu conterrâneo, Victor Hugo. O autor de “As flores do mal” alternava períodos de admiração sincera pelo mestre e outros de clara negação. Ao mesmo tempo em que dedicava poemas à Hugo, também podia criticar o lirismo interiorizado e a visão egocêntrica do autor de “Os miseráveis”.

Agora, uma carta inédita, divulgada na quarta pelo jornal “The Guardian”, revela que Baudelaire também não apreciava receber correspondência de Hugo. Em janeiro de 1860, ele escreveu a um desconhecido: “V. Hugo continua me enviando cartas estúpidas”. O poeta ainda acrescenta: “Tudo isso me inspira tanto tédio que me sinto disposto a escrever um ensaio provando que, por uma lei fatal, o gênio é sempre besta”. A maior parte da missiva, porém, diz respeito a Edgar Alan Poe, cuja obra Baudelaire traduziu para o francês.

Colocada a venda pela Christie em Nova York junto com um exemplar da primeira edição de “As flores do mal”, o documento apenas confirma o que os historiadores já sabiam. Em uma conhecida carta de 1865, Baudelaire escrevia à sua mãe, Caroline Aupick: “Victor Hugo morou algum tempo em Bruxellas e quer que eu passe algum tempo em sua ilha, me entediou bastante, me cansou bastante. Não aceitarei nem sua glória, nem sua fortuna, se me fosse necessário ao mesmo tempo possuir seu enorme ridículo. A Sra Hugo é meio idiota, e seus dois filhos são grandes tolos”.

Hugo, por sua vez, sempre manifestou admiração pelo colega mais jovem. Segundo ele, Baudelaire trazia “um novo frisson” para a poesia. Depois do lançamento de “As flores do mal”, Baudelaire foi julgado por “atentado à moral”, e recebeu amplo apoio de Hugo. Por outro lado, Baudelaire elogiou publicamente “Os miseráveis” na época de seu lançamento, mas em uma resenha de 1861 classificou o livro como “imundo e inepto”.

Fonte: O Globo

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Ler um livro pode mudar seu cérebro – pelo menos por um tempo

Uma das coisas mais legais de se mergulhar em um livro é a sensação de sair da sua realidade e se colocar no corpo de outra pessoa. Mas isso não acontece só no sentido figurado – pode acontecer num sentido biológico também. Cientistas da Universidade Emory, nos Estados Unidos, descobriram que ler pode afetar nosso cérebro por dias, como se realmente tivéssemos vivenciado os eventos sobre o qual estamos lendo.


Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram os efeitos da leitura sobre redes cerebrais usando ressonância magnética funcional (fMRI). Até então, os estudos já feitos só focavam os efeitos imediatos da leitura, com voluntários lendo histórias curtas dentro do scanner. Desta vez, foram analisados os efeitos posteriores. Para isso, 21 estudantes da universidade participaram do experimento por 19 dias consecutivos. Todos eles tiveram de ler “Pompeia”, livro de 2003 escrito por Robert Harris e baseado na erupção real do Monte Vesúvio na Itália antiga.

“A história segue um protagonista, que está fora da cidade de Pompéia e percebe vapor e coisas estranhas acontecendo ao redor do vulcão”, diz o neurocientista Gregory Berns, principal autor do estudo. “Ele tenta voltar para lá a tempo de salvar a mulher que ama. Enquanto isso, o vulcão continua e ninguém na cidade reconhece os sinais”. Segundo ele, o livro foi escolhido por ter uma forte linha narrativa e ser emocionante e cheio de suspense, o que era importante para que os leitores pudessem realmente se envolver com a história.
Todas as manhãs, nos cinco primeiros dias, os voluntários tiveram seu cérebro analisado em estado de repouso pelo scanner de ressonância magnética.

Depois disso, eles passaram a receber diariamente, por nove dias, uma parte do livro com cerca de 30 páginas cada, sempre para ler à noite. Nas manhãs seguintes, depois de passarem por um teste inicial para garantir que haviam terminado a leitura da noite anterior, eles passavam por outro exame de fMRI. Para completar, os participantes ainda passaram por exames adicionais por mais cinco dias depois de completar todas as nove seções do romance.

Os pesquisadores descobriram que, nas manhãs seguintes às tarefas de leitura, o cérebro dos voluntários mostraram conectividade elevada no córtex temporal esquerdo, uma área associada à receptividade para a linguagem. “Mesmo que os participantes não estivessem realmente lendo o romance enquanto estavam no scanner, eles mantiveram essa conectividade elevada. Chamamos isso de ‘atividade sombra’, quase como uma memória muscular”, diz Berns.
Outra área que apresentou conectividade intensificada estava próxima do sulco central, uma região sensório-motora primária cujos neurônios são associados à representação das sensações para o corpo – o processo que acontece quando pensamos em correr, por exemplo, e ativamos os neurônios associados ao ato físico de correr. Em outras palavras, o cérebro dos leitores estava funcionando como se eles tivessem realizado uma série de atividades físicas que eles não haviam feito – mas o personagem do seu livro, sim.

“As mudanças neurais que encontramos associadas às sensações físicas e sistemas de movimento sugerem que a leitura de um romance pode transportá-lo para dentro do corpo do protagonista”, diz Berns. “Nós já sabíamos que boas histórias podem colocá-lo no lugar do outro em sentido figurado. Agora estamos vendo que alguma coisa pode estar acontecendo também biologicamente”, completa. E é importante notar que essas mudanças neurais não eram apenas reações imediatas já que persistiram não só pela manhã seguinte às leituras, como também durante os cinco dias após os participantes terminarem o romance.

Como o estudo acabou depois desse tempo, não se sabe quanto essas mudanças neurais podem durar. “Mas o fato de que as detectamos por alguns dias para um romance aleatório que as pessoas tiveram de ler sugere que seus livros favoritos certamente podem ter um efeito maior e mais duradouro sobre a biologia do seu cérebro”, conclui Berns.

O estudo foi publicado na revista Brain Conectivity no fim do ano passado.

Fote: Superinteressante - Guia do Estudante

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Livros de Chico Buarque com preço promocional de R$ 9,90


Além de um grande músico, Chico Buarque também é conhecido por ser um talentoso escritor. Vencedor do Prêmio Jabuti por três vezes, Buarque está com quatro livros digitais vendidos a preço promocional de R$ 9,90. 

A promoção está sendo realizada pela Amazon.com e permanecerá até a próxima terça-feira (24). Todos os livros que venceram o Prêmio Jabuti estão na promoção: 'Estorvo', 'Budapeste' e 'Leite Derramado'.

Manuscrito revela como os amigos de Jane Austen viam os seus livros

“Nada de inteligente nos personagens, linguagem pobre”. “Não é tão inteligente quanto ‘Orgulho e Preconceito’, mas fiquei completamente satisfeito”. “Li cada linha com o maior prazer e interesse e estou mais feliz com ele do que minha humilde caneta pode expressar”.

Imagem do manuscrito “Opiniões” - Reprodução

As observações acima não foram feitas por críticos literários importantes, mas por amigos e parentes de Jane Austen, a respeito dos romances “Mansfield Park” (1814) e “Emma” (1815). A autora inglesa gostava de colecionar opiniões de pessoas próximas sobre seus próprios livros, como demonstra um manuscrito guardado pela British Library — e recém-disponibilizado na internet.

Austen copiou diversas citações sobre os dois romances. Algumas podem ser apenas lembranças de conversas, outras parecem ter sido reproduzidas de cartas que recebeu. Entre os muito elogios, há algumas ressalvas, mesmo que a maioria das observações sejam superficiais. A maioria dos leitores admitem preferir outras obras da autora, como “Razão e sensibilidade” e “Orgulho e preconceito”.


Vale lembrar que tanto “Mansfield Park” quanto “Emma” receberam uma fria recepção do meio literário quando foram lançados. Antes da obra de Austen ser redescoberta,“Mansfield Park” atravessou o século 19 com pouquíssimas reedições.

No manuscrito guardado pela autora, a “resenha” mais elaborada é de uma certa Mrs. Pole, que exalta a veracidade com que Austen descreve a sociedade de seu tempo: “Há uma satisfação especial em ler todas as obras de Miss A — elas foram tão evidentemente escritas por uma Gentlewoman - [?] A maioria dos romancistas falha e traem-se na tentativa de descrever cenas familiares na alta sociedade, alguns poucos escapam e mostram que não estão familiarizados com o que descrevem, mas aqui é bem diferente! Tudo é natural, e as situações e incidentes são contados de uma forma que evidencia claramente o pertencimento da autora a uma sociedade cujos costumes ela tão habilmente delineia”.

A maioria dos leitores que citam a “naturalidade” de Austen, porém, usaram um tom crítico. Segundo a British Library, isso reflete um debate literário dominante do final do século XVIII e início do XIX. Por se atardar em detalhes do cotidiano, de maneira realista, a obra de Austen teve uma difusão limitada em um período em que romances costumavam trazer fatos e personagens exagerados.

“Na maioria dos romances você se diverte por passar tempo com um conjunto de pessoas ideais que nunca mais aparecerão em seus pensamentos e que você nunca espera encontrar”, escreve uma certa Lady Gordon.

Fonte: O Globo

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Resenha do livro A Outra Sombra

Confira a nova resenha do livro A Outra Sombra no blog Livros& Grafias (DioGo Francisco)



"Narrado em primeira pessoa o livro nos cativa a cada página de uma forma extraordinária. Com uma narrativa incrível, Max nos transporta para o mais sombrio lado da realidade humana (...)".


Leia a resenha completa aqui! :)




Título: A Outra Sombra
Autor: Max Moreno
Editora: Desfecho (Multifoco)
ISBN: 8582735642
Páginas: 220
Ano de lançamento: 2014
Compre aqui!

Editora Substânsia - Uma nova editora, uma nova percepção


Um novo projeto surgiu. Desde o início, o que eu desejava era apenas guardar memórias com minhas resenhas, mas agora, depois de quase 2 anos de atividade com o Blog Literatura Br, consegui, com ajuda de dois amigos, colocar mais um sonho em ação. Aos que procuram publicar o seu livro, surge uma nova editora: Editora Substânsia. A editora pretende trazer novas percepções para o cenário editorial brasileiro, contribuindo efetivamente para o desenvolvimento das artes. Assim, residindo em Fortaleza - Ceará, uma nova vereda na Literatura foi aberta. Sejam todos bem vindos a participar deste novo projeto. Abaixo segue o release da editora:

Não é possível escrever sem plasmar no papel as impressões que existem em cada um de nós. A ânsia, que se forma em nosso íntimo, é algo que move os escritores a criar mundos e contar histórias, que não se perdem, se transformam. É com esse pensamento que surge a Editora Substânsia, como uma vereda no meio do sertão que nos leva ao poço.

A Editora Substânsia foi criada com o intuito de publicar livros de autores contemporâneos, nos mais variados gêneros, e perspectivar novas condições de diálogo entre os criadores brasileiros das mais variadas artes; abrindo novas possibilidades no mercado editorial brasileiro. A exemplo de outras editoras independentes, o que nos move é a paixão pela literatura, o prazer de editar livros e criar elos que fortifiquem a intelectualidade dos novos escritores, reconhecendo a contribuição dos que buscam firmar conteúdos de qualidade, abertos para o debate colaborativo.

Idealizada por Nathan Matos, em parceria com Madjer de Souza Pontes e Talles Azigon, a Editora Substânsia pretende contribuir para a ampliação de um cenário literário, ainda escasso, no Ceará. A independência na edição surge não como uma única possibilidade, mas como uma linha editorial a ser seguida.

A ideia de montar uma editora não surgiu do nada, foi um processo lento e demorado, discutido e pensado desde que tivemos a concepção de que necessitávamos contribuir para a difusão de novos escritores seja nas mídias virtuais, seja com a publicação física dos textos que nos chegaram e continuam chegando!

Os editores já atuavam no campo literário, seja escrevendo ou participando e inventando eventos para divulgar a Literatura, incentivar escritores, poetas, ensaístas, contistas, enfim... todos aqueles que de uma forma ou de outra estiveram interessados na concepção do diálogo para a produção literária.

Os três editores, em constantes conversas – em mesas de café ou de bar – pensaram e resolveram se unir para publicar os seus próprios livros, porém, a ideia ganhou energia suficiente, depois de um longo processo de amadurecimento, e decidimos fundar a Editora Substânsia para publicar outros novos autores que, sem dúvida, compartilham do mesmo sonho que dividimos.

Foi da ânsia de fazer e de trabalhar com o que mais gostamos que fundamos a Substânsia.

Esperamos que possa dividir esse Sonho conosco! 

Um abraço,


Os Editores



quarta-feira, 18 de junho de 2014

Sorteio do livro A Outra Sombra

Olá, pessoal! ;)


Em mais uma parceria muito bacana, dessa vez com o blog Livros & Grafias (DioGo Francisco), estaremos sorteando mais um exemplar (autografado) do livro A Outra Sombra. É a sua oportunidade de ler o livro que, de acordo com publicação do Portal R7 do grupo Record, é atualmente um dos mais comentados na blogosfera. Clique aqui e participe!


Leia A Outra Sombra e conheça uma trama intrigante e absolutamente inquietante.

Título: A Outra Sombra
Autor: Max Moreno
Editora: Desfecho (Multifoco)
ISBN: 8582735642
Páginas: 220
Ano de lançamento: 2014
Compre aqui!


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Um romance para ler durante a Copa

"Água-mãe", de José Lins do Rêgo




Um apaixonado por futebol, o escritor já era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e colaborava com o 'Jornal dos Sports'. Flamenguista fanático, chegou a chefiar a delegação da seleção brasileira num amistoso na década de 1950. No livro, publicado em 1941, Rêgo narra a melancólica trajetória de um craque dos gramados que é esquecido quando se contunde e se vê obrigado a abandonar o campo.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Livro que mostra terra tomada por zumbis é lançado no Brasil

Sucesso na França, 'A Noite Devorou o Mundo' chega em território nacional pela editora Rocco


Quem nunca teve a oportunidade de ler algum livro de horror da literatura francesa, poderá fazer isso agora. A editora Rocco lança no Brasil o livro 'A Noite Devorou o Mundo', de Pit Agarmen. A obra, de apenas 208 páginas, mostra uma humanidade em decadência e vitimizada por uma epidemia que transforma várias pessoas em zumbis assassinos.


O herói, ou melhor, o anti-herói da história é Antoine Verney, que desperta de uma bebedeira em um apartamento vazio, com um morto na sala e sinais de luta pelos aposentos. Enquanto os zumbis tomam as ruas de Paris, ele aprende a sobreviver e a enfrentar a solidão.

Neste inusitado romance, Pit constrói uma fábula sobre a sociedade de consumo e a apatia que transformou a todos em mortos-vivos, destilando a melancolia e a ironia que marcam a sua obra.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

No Mundo e Nos Livros entrevista Max Moreno

Max Moreno, autor do livro A Outra Sombra, fala sobre o seu processo de escrita; construção dos personagens; suas influências literárias; e curiosidades sobre a obra. Confira!


No Mundo e Nos livros: O que um leitor seu disse sobre seu livro que o marcou?

Moreno:
Certa vez, após terminar de ler o livro, uma leitora me parou na rua e me perguntou... Continue lendo aqui!



Novo romance de Tailor Diniz mistura policial e fantástico

Contratada para passar uma noite com um cliente desconhecido, uma garota de programa embarca em uma estranha viagem entre o real e o absurdo. Sem saber para onde está indo, atravessa estradas ameaçadoras e vilarejos fantasmagóricos, sempre perdida entre sonho, realidade, rituais perversos e canções de Roberto Carlos.

Um dos nomes do romance policial no Brasil, o roteirista e escritor Tailor Diniz oferece “Em linha reta” (Editora Grua, 128 páginas, R$ 30) um thriller com doses de literatura fantástica.


Como vê a literatura policial no Brasil?

O momento é bom. São muitos autores produzindo e publicando, alguns conhecidos e conceituados, outros pouco conhecidos, em editoras menores, mas há uma perceptível efervescência no mercado. Tanto que as grandes editoras brasileiras têm sua coleção dedicada ao policial, Companhia das Letras, Record, Autêntica, L&PM, por exemplo. Isso se deve também à internet e às redes sociais, Facebook especialmente, que abrigam comunidades de autores e de leitores dedicados ao gênero, com discussões e, importante, divulgação e compartilhamento de textos, de lançamentos, resenhas e críticas.

Embora haja um mercado para livros policiais no país (os lançamentos de autores estrangeiros comprovam), vemos poucas publicações nacionais do gênero (ou “subgênero”, como consideram alguns). Por que? O escritor brasileiro tem preconceito com a literatura policial?

Não. Entendo que o problema não está com o escritor. Os autores brasileiros estão aí, produzindo bastante. Há preconceito, sim, em menor grau do que há 15, 20 anos, mas não de parte do escritor. Até porque, não acho que seja tão comum assim um autor decidir sobre em que gênero vai escrever, tipo: ah, literatura policial é um gênero menor!? Então vou escrever autoajuda ou algo intimista...

Sobre o preconceito, existe em dois âmbitos: de pessoas que realmente acham o policial um gênero inferior e, entre os próprios aficionados, contra o autor brasileiro. Quando publiquei “Crime na Feira do Livro”, por exemplo, saiu uma resenha bem positiva, num site especializado em literatura policial, e, lá no final, o resenhista fazia uma recomendação: o livro é de um autor brazuca, a história se passa em Porto Alegre, vamos dar uma força pro cara. No primeiro comentário, alguém dizia: “Policial brazuca, a história se passa em Porto Alegre? Xô, melhor, não!”

Por ironia, três anos depois, esse livro foi traduzido para o alemão e lançado durante a Feira de Frankfurt, em 2013. A história se passa durante a Feira do Livro de Porto Alegre, a ação começa com um assassinato, no primeiro dia da Feira, no espaço da Feira, e termina no último dia, com a descoberta do assassino. É um livro que poderia ser rotulado, à primeira vista, como obra regional, rejeitada por aquele leitor que só consome autores estrangeiros, mas que, considerando-se o olhar do editor alemão (que publica pensando no leitor alemão), tem um valor literário de interesse independente do lugar onde se desenvolve a ação e da nacionalidade do autor.

Para um ficcionista brasileiro, é difícil rivalizar com uma realidade tão violenta e absurda?

Se eu disser que sim, ou que essa seria a causa de ainda não termos alcançado o nível de produção e receptividade dos autores estrangeiros, estaria desconsiderando a gênese da literatura policial, que começou na França, no final do século XIX e início do XX, num dos períodos mais violentos do país. As execuções na guilhotina em praça pública eram eventos concorridíssimos, as notícias de casos reais de assassinatos concorriam com os folhetins publicados nos mesmos jornais, bandidos eram recrutados para atuar como policiais sob o argumento de que só eles conheciam o submundo do crime e, assim, estariam aptos a combatê-lo; grupos de anarquistas chamados Apaches esfaqueavam turistas em plena rua, o pequeno Théâtre du Grand-Guignol, em Montmartre, fazia representações tão horripilantes e violentas que as pessoas saíam do recinto respingadas de sangue, o grande herói nacional da ficção era um sujeito chamado Fantomas, que não era o mocinho, mas o bandido de todos os folhetins do qual era protagonista — tudo isso poderia rivalizar com a literatura policial, no entanto, foi nesse contexto que ela nasceu.

Cenário de corrupção também havia nos Estados Unidos, durante a Lei Seca, um dos períodos de maior violência no país, quando surgiram grandes nomes da literatura policial americana. Não acho, portanto, que a violência e a corrupção possam ser uma espécie de concorrência ou algo que iniba o consumo e a produção de literatura policial no Brasil.

Literatura policial é só entretenimento ou dá para fazer algo mais?

Acho que, no final das contas, toda literatura é de entretenimento. O que ocorre é que a literatura policial, pela sua estrutura e apelo, é um gênero de fácil compreensão, detalhe que a tornou popular ao longo dos anos em todo o mundo. Daí essa tentativa de rotulá-la como de entretenimento, como se fosse menos importante por ser de fácil compreensão e ser consumida indistintamente. A literatura policial, em especial a que surgiu a partir de Dashiell Hammett e Raymond Chandler, nos Estados Unidos, por exemplo, não deixa de conter nos seus enredos críticas sociais e políticas muito fortes. É difícil encontrar na literatura dita “maior” um livro que aborde de forma tão rica temas como a amizade e a solidão, além de outras questões de cunho social e político, como “O longo adeus”, de Raymond Chandler, ambientado na Los Angeles do pós-Guerra. Na mesma linha, lembro-me dos romances e contos de Walter Mosley, com seu personagem Sócrates Fortlow, um ex-presidiário que sofre todo o tipo de preconceito social e racial na luta para se reintegrar à sociedade e, dessa forma, apagar o passado de crimes que o levara a passar vários anos na prisão. Para não ficarmos apenas nos estrangeiros, quem conhece o inspetor Espinoza, de Alfredo Garcia-Roza, percebe que seu personagem muitas vezes é uma espécie de oásis de caráter e retidão perto de seus superiores e colegas de polícia, na delegacia onde trabalha. Não vou dizer que a literatura policial faz menos ou faz mais, ela apenas cumpre seu papel (e às vezes não) como qualquer outro gênero, de entreter e retratar as agruras da sociedade, tanto sob o ponto de vista político, como social e psicológico.

E no caso de "Em linha reta"? Há uma ideia de falar da sociedade brasileira através de um gênero bem específico?

Não considero “Em linha reta” um livro 100% policial, mas um livro que, ao longo de sua narrativa, contém ingredientes da literatura policial, como o suspense e uma estrutura próxima do folhetim em que, ao final de cada capítulo, é posta uma isca para o leitor seguir adiante na leitura. Do início ao fim, o leitor é atraído para algo que pode acontecer, como se a qualquer momento fosse surgir uma novidade capaz de explicar aquela situação meio absurda que se apresenta, da personagem principal tendo a impressão de estar mergulhando sem volta num espaço vazio e desconhecido, e de extremo perigo. Mas isso não é resultado de algo planejado. É um estilo de narrar que também tem muito a ver com minhas preferências como leitor. “Em linha reta”, por exemplo, contrariando uma característica principal do gênero, não tem um enredo, de pontas que se soltam e se encontram no final. É uma narrativa linear.

Sob o ponto de vista de conteúdo, há, sim, uma abordagem social e política. O que procuro retratar é um mundo no qual estão corroídos os pilares que sustentariam uma sociedade justa e de direito — a polícia, a justiça e aquelas instituições que, em vez de proteger o cidadão, por força de um ser invisível, mas tirano e poderoso, acabam por subjugá-lo. E com o suporte do fanatismo religioso que, a cada dia, ocupa mais espaço na sociedade, na política e no poder, fato a sugerir que podemos ter pela frente, num tempo não muito distante, um período de obscurantismo. Basta hoje ligarmos a TV e o rádio e acompanharmos o noticiário político para perceber que o fanatismo religioso está ocupando espaços e, na minha opinião, é uma ameaça séria à liberdade.

Como chegou ao personagem da prostituta? Como a questão do mercado do sexo é abordada no livro?

Depois que publiquei “A superfície da sombra”, meu livro anterior, em função da boa aceitação daquilo que se propunha, de abordar questões de fronteira, até onde algo é aquilo que aparenta e partir de quando passa a ser outra coisa, senti que poderia ir adiante no tema. Como em “A superfície da sombra” o cenário geográfico servia de metáfora para essas questões (a história se passa em duas cidades gêmeas na fronteira do Brasil com o Uruguai, separadas apenas por uma avenida), imaginei que o livro seguinte devia tratar a questão das fronteiras de uma forma mais subjetiva, entre o delírio e o sonho, entre a máquina e o humano, entre o novo e o arcaico. Como o personagem anterior era masculino, quis para o novo livro uma personagem feminina. De alguém que mergulhasse num mundo estranho, desconhecido e hostil. Daí surgiu a ideia de uma garota de programa, uma profissão propícia a esses perigos.

Embora essa personagem seja apresentada de forma clara e objetiva, não há uma abordagem direta da questão do mercado do sexo. Ela tem o perfil de uma garota de programa real, verdadeira, é universitária, jovem, atraente, vive dois mundos distintos, da mulher que faz programas com quem paga e da garota de classe média que tem namorado, frequenta shoppings, usa as redes sociais, posta selfies, come pizza com os pais e os irmãos e vai para a balada com as amigas. Quando está com a família, ninguém imagina que aquela seja a sua profissão, quando está atendendo um cliente, usa um desses nomes que lembram atrizes famosas, mas sem revelar a identidade. Essa é uma fronteira entre dois mundos que eu também quis abordar: até onde ela é uma garota de programa e a partir de quando passa a ser uma garota família, que se preocupa com o presente de aniversário do irmão caçula ou em avisar a mãe que vai chegar mais tarde em casa para ela não se preocupar — e vice-versa. Mas não há espaço para o aprofundamento da questão, ela é apresentada dessa forma apenas como uma das engrenagens da narrativa.

Fã que pagou U$ 20 mil para 'morrer' em livro de George R.R. Martin é funcionário do Facebook

Um dos dois fãs que pagaram US$ 20 mil para "morrer" num dos próximos volumes de "As crônicas de gelo e fogo", de George R.R. Martin, é um funcionário do Facebook. Dave Goldblatt, de 30 anos, vai batizar um personagem na saga que deu origem à série "Game of thrones". O outro felizardo é, na verdade, uma mulher, mas sua identidade não foi revelada.


A oportunidade de os leitores virarem personagens num futuro livro do autor surgiu quando Martin quis arrecadar fundos para o Santuário de Lobos Wild Spirit. Em parceria com o site "Prizeo", ele pediu ao público que fizesse doações à campanha. O objetivo inicial era arrecadar a quantia de US$ 150 mil, mas o valor foi rapidamente atingido, e já ultrapassa a marca de US$ 370 mil.

Os nomes de dois personagens (um masculino e outro feminino) de "As crônicas de gelo e fogo" seriam inspirados nas pessoas que doassem US$ 20 mil. Ambos os personagens, é claro, sofreriam uma morte terrível na trama.


Goldblatt, especialista em produto e morador de São Francisco, disse à "CBS" que, após assistir à série da HBO, leu todos os livros em seis meses. Sobre o prêmio, afirmou ter "sorte em estar nessa posição".

"Obviamente, o dinheiro vai para caridade, o que é um bônus. Eu não tinha a intenção de ajudar santuários de lobos imediatamente, mas quanto mais eu leio sobre o assunto, mas eu percebo que trata-se de uma causa séria."

Segundo o "Hollywood Reporter", embora as duas "vagas" tenham sido preenchidas em poucas horas, outras oito pessoas pagaram a quantia exigida e foram para a "lista de espera". O escritor se disse "atônito" com a repercussão da campanha.

Fonte: O Globo

Leia trecho de "Eclipse", novo romance de John Banville

JOHN BANVILLE
tradução CELSO MAURO PACIORNIK
ilustração
 LAURA TEIXEIRA

SOBRE O TEXTO O trecho aqui reproduzido faz parte do romance "Eclipse", do autor irlandês John Banville, que será lançado em julho pela Biblioteca Azul, selo da editora Globo. O livro, que apresenta Alexander Cleave, ator de teatro que abandona a carreira, compõe uma trilogia com "Luz Antiga" (2013) e "Sudário", que deve chegar ao Brasil no segundo semestre deste ano.


Eu podia fazer grandes papéis, também; as pessoas, quando me avistavam na entrada do palco, ficavam sempre espantadas de encontrar, no que elas chamam de vida real, não o grandalhão desgrenhado e bamboleante que esperavam, mas a pessoa esbelta, alinhada, com o andar felino de um bailarino. Eu havia trabalhado duro naquilo, percebem, havia estudado homens corpulentos e compreendido que o que os define não é musculatura sólida, ou vigor, ou força, mas uma vulnerabilidade essencial. Os sujeitos pequenos são todos ímpeto e autoconfiança, ao passo que os grandes, mesmo quando não parecem minimamente apresentáveis, passam uma impressão atraente de confusão, de estar perdidos, de angústia, até. São menos agressores que agredidos. Ninguém se move mais delicadamente que o gigante, embora seja sempre ele a despencar do pé de feijão ou a ter o olho vazado por uma estaca ardente. Tudo isso eu aprendi, aprendi a encenar. Foi um dos segredos do meu sucesso, no palco e fora dele, que eu poderia atribuir ao tamanho. E à imobilidade, uma qualidade de absoluta imobilidade mesmo no meio da confusão, esse era outro dos meus truques. Era isto que os críticos tentavam decifrar quando falavam de meu assombroso Iago ou do meu atormentado Ricardo Corcunda. A fera à espreita é sempre mais sedutora do que a que salta.

Não me passou despercebido o uso do tempo passado em tudo acima.

Ah, o palco, o palco; vou sentir sua falta, eu sei. Aquelas velhas máximas sobre a camaradagem da gente de teatro, é bom que se diga, são todas verdadeiras. Filhos da noite, nós nos fazemos companhia contra a escuridão insidiosa encenando que somos adultos. Não considero meus semelhantes particularmente adoráveis, apenas preciso fazer parte de um elenco. Nós, atores, gostamos de nos queixar dos tempos difíceis, das restrições nos repertórios provincianos, das instalações caóticas e das turnês à beira-mar canceladas pela chuva, mas era justamente a indigência daquele mundo espalhafatoso que eu secretamente amava. Quando olho para trás, para minha carreira, que parece encerrada agora, o que lembro com mais carinho é o aperto aconchegante de algum salão imundo no meio do nada protegido da escuridão barrenta de uma noite de outono e cheirando a fumaça de cigarro e a sobretudos molhados; em nossa caixa de luz, nós, os atores, nos pavoneamos e declamamos, rindo e chorando, enquanto ali, na obscuridade aveludada à nossa frente, aquela massa indistinta de múltiplos olhos se pendura em cada palavra berrada, se agarra a cada gesto exagerado nosso. Neste canto do país, quando éramos crianças, costumávamos dizer dos exibicionistas no playground da escola que eles estavam apenas "se achando"; esse é um hábito que nunca perdi; fiz do me achar o meu ganha-pão; na verdade, fiz uma vida. Não é a realidade, eu sei, mas para mim era a segunda melhor coisa -por vezes a única coisa- mais real que o real. Quando fugi desse mundo povoado não havia ninguém além de mim para me impedir de me desgraçar. E me desgracei.


Atuar foi inevitável. Desde cedo, a vida para mim foi um perpétuo estado de ser observado. Mesmo quando estava sozinho, eu me comportava com velada circunspeção, mantendo as aparências, encenando. Esta é a presunção do ator, imaginar que o mundo possui um olho único e ávido fixo sempre e exclusivamente nele. E ele, é claro, ao atuar, se acha a única coisa real, a sombra mais substancial num mundo de sombras. Tenho uma lembrança particular -embora lembrança não seja a palavra, o que estou pensando é vívido demais para ser uma lembrança real- de estar parado na ruela que desce do lado da casa, num final de manhã de primavera, quando era menino. O dia estava úmido e fresco como um graveto descascado. Uma luz forte irrealmente clara repousa sobre tudo, até nas árvores mais altas consigo discernir folhas individuais. Uma teia de aranha pesada de orvalho cintila num arbusto. Pelo caminho aproxima-se coxeando uma velha, encurvada quase até o chão, seu andar uma repetida e lenta oscilação dolorida em torno do pivô de um quadril danificado. Eu a observei se aproximar. É a pobre e inofensiva Peg, eu a vi muitas vezes perto da cidade. A cada passo penoso, ela me atira um olhar de soslaio intenso, inquisitivo. Ela usa um xale, um velho chapéu de palha e um par de botas de borracha cortadas toscamente nos tornozelos. No braço, carrega um cesto. Quando se aproxima do nível em que estou, ela para e me lança avidamente um olhar torto, com a língua à mostra, e murmura algo que não consigo entender. Ela me mostra o cesto com cogumelos que havia colhido nos campos e talvez os esteja oferecendo para me vender. Seus olhos são de um azul baço, quase transparente, como os meus, agora. Ela espera que eu fale, ofegando um pouco, e quando não digo nada, não ofereço nada, ela suspira, balança a cabeça velha e retoma seu penoso coxear, conservando-se à beira gramada. O que foi que tanto me afetou no momento? Terá sido o ar acariciante, aquela luz vasta, a sensação das euforias da primavera que me rodeavam? Seria a velha pedinte, sua materialidade insondável? Alguma coisa se avolumou em mim, uma exultação indefinida. Uma multidão de vozes lutava em meu interior para se expressar, pareceu-me uma multidão. Eu as proferiria, essa seria a minha tarefa, sê-las, as sem voz! Assim nasceu o ator. Quatro décadas depois, ele morreu no meio do último ato e cambaleou para fora do palco, em suada ignomínia, justo quando a ação estava chegando ao clímax.

Fonte: Folha de São Paulo