domingo, 31 de agosto de 2014

Contos de Amor e Crime: Um Romance Violento - Resenha

Até que ponto você é sincero com você mesmo sobre os seus conceitos ou “pré-conceitos”?!


O livro “Contos de Amor e Crime: Um Romance Violento” do escritor Afobório, como ele próprio afirma, é um tapa na cara da sociedade. Já na primeira frase do livro, pode-se ter uma ideia de quão intensa será a leitura:

“Eu senti e ainda sinto muita raiva!” (pág. 13)


Quando Jozz (um negro, bandido) decidiu compartilhar sua história conosco (leitores), sabia exatamente o que estava fazendo. Ao se deparar com um escritor (branco) interessado em transformar a sua experiência de vida num livro, Jozz não hesitou, pois via a oportunidade de expor seu ponto de vista sobre alguns assuntos que, infelizmente, a maioria de nós costuma varrer para debaixo do tapete.

“Vesti minha balaclava e colei nele; calcei a pistola na segunda costela do idiota e disparei.” (pág. 26)

Através da sua história, Jozz nos conduz a uma realidade muitas vezes cruel. Poucas vezes paramos para pensar no que de fato a vida representa para pessoas cujas oportunidades são bem diferentes das nossas. Garotos negros que nascem e crescem em comunidades pobres, cercadas de drogas, violência e prostituição. Conscientes ou não, temos um discurso pronto e afirmamos que não somos racistas; que não temos preconceito social; que acreditamos num futuro melhor para todos; que se o “faveladinho” estudasse, também seria bem sucedido na vida. Mas será que as oportunidades são realmente as mesmas para todos?

“Acredito que todo homem morre um pouco por dia, enquanto briga para continuar vivo. Mas eu ainda penso que é melhor morrer de bala do que de fome (...)” (pág. 45)


Com uma narrativa direta e franca, o autor aborda (de forma impecável) os temas que a sociedade e a classe política apenas fingem discutir. Afobório nos abre os olhos para a realidade daqueles que estão fadados à marginalidade, na maioria das vezes, por pura falta de opção, afinal, quais são as chances de um cidadão negro e favelado se dar bem na vida?

“Era uma pequena ainda indefesa nesse mundo cão. Perguntei: “Quantos anos você tem?”. Ela esticou os dedinhos apontando quatro. Achei aquilo sensacional. Correu uma lágrima dos meus olhos.” (pág. 65)

Vingança, prostituição, drogas, traição, são alguns elementos que transformam “Contos de Amor e Crime” numa granada (sem o pino) na sua mão, prestes a explodir. E com um pouco de sorte, essa granada vai explodir e te tirar da inércia da hipocrisia e da ignorância. Um livro indispensável para quem se propões a “abrir os olhos” e repensar seus conceitos.

“Felicidade é uma coisa importante na vida das pessoas. E a favela se faz feliz na dificuldade.” (pág. 103)

Prepare-se para ler “Contos de Amor e Crime: Um Romance Violento, pois você pode até duvidar, mas existe outro mundo além do nosso “mundinho”.


Contos de Amor e Crime
ISBN: 978-85-67366-6
Autor: Afobório
Editora: Os Dez Melhores
Páginas: 122
Adquira seu exemplar direto com o autor

sábado, 30 de agosto de 2014

A Outra Sombra - Resenha blog Garora Reading

Olá, leitores ;)

O livro A Outra Sombra acaba de receber mais uma resenha. Veja abaixo um trecho da resenha feita pela Luana (Blog Garota Reading). Vale a pena conferir!



(...) O livro me fez sentir meio estranha, uma coisa que eu nunca havia sentido lendo outro livro (sem contar A Culpa é das Estrelas), mas uma hora eu ficava com raiva e acabei me apegando aos personagens e não queria saber o fim, pois tinha um pressentimento ruim, vou confessar que chorei em algumas historia, e sim, eu sou chorona hehe (...).

Confira a resenha completa aqui!

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Bruce Springsteen lança livro 'infantil para adultos'


Bruce Springsteen acaba de se juntar ao grupo cada vez maior de roqueiros (entre eles Keith Richards e três dos Beatles) que escreveram livros infantis — ou, ao menos, é o que parece. "Outlaw Pete" ("Pete fora-da-lei"), baseado em sua canção homônima de 2009, será lançado em 4 de novembro pela Simon & Schuster e é tratado pela editora como "um livros para adultos" que pode ser lido por crianças.

O livro segue o estilo das publicações para crianças, com ilustrações, histórias curtas e lições de moral. Apesar disso, a editora não considera o título um livro infantil.

"É um livro para quem ama uma história de faroeste. É para todas as idades", garantiu nesta quinta-feira Jonathan Karp, presidente do grupo. "Obviamente, a canção que inspira o livro é para adultos. Tem uma sensibilidade adulta, assim como o livro. É irônico, arrebatador e majestoso, como as canções de Springsteen. Definitivamente não é infantil, mas tenho lido o livro para meus filhos, assim como alguns colegas têm feito com os seus."

Ele aproveitou e explicou brevemente ao que o título se refere.

"'Pete fora-da-lei' é essencialmente um personagem de Bruce Springsteen, falando sobre destino. É um bebê que assalta bancos e se arrepende das coisas que faz, mas, como a canção diz, 'não se pode desfazer o que foi feito.'"

De acordo com a Simon & Schuster, a ideia do livro nasceu do ilustrador Frank Caruso, que convidou Springsteen a fazer o texto. Karp garantiu ainda que, assim que recebeu o original, fez uma oferta.

"Outlaw Pete" foi lançada como a canção que abre o álbum "Working on a dream", de 2009. Springsteen chegou a ser acusado de plágio por conta de semelhanças musicais com o clássico "I was made for lovin' you", do Kiss. Apesar das semelhanças, "The boss" não foi processado.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Vencedor do Pulitzer, romance "O Pintassilgo" chega ao Brasil


A escritora americana Donna Tartt, que volta
 ao romance após dez anos de hiato

Tal como um terremoto, Donna Tartt faz a terra tremer de tempos em tempos. 

Mais exatamente de dez em dez anos, a escritora americana, 50, publica um romance que faz sensação entre críticos literários e leitores de diversos países.

O terceiro livro da autora chega agora ao Brasil, depois de alcançar o topo da escala Richter nos EUA. “O Pintassilgo” venceu o prêmio Pulitzer de ficção, um dos principais em língua inglesa; está há mais de 40 semanas na lista de best-sellers do “New York Times”; vendeu mais de 1,5 milhão de exemplares; foi publicado em 28 línguas; será adaptado para o cinema pelo estúdio Warner Bros.

“O Pintassilgo” começa em um hotel de Amsterdã, onde o protagonista, Theo Decker, está escondido, delirando de febre e lendo notícias sobre seus crimes. A vida de Theo virou de ponta cabeça 14 anos antes, quando ele, ainda garoto, perdeu a mãe em uma explosão no Metropolitan Museum de Nova York.

Depois da tragédia, Theo passa por uma sucessão sem fim de infortúnios, envolvendo o mercado negro de arte, drogas, perseguições. Alguns fatos parecem estapafúrdios, mas a narração rica e empolgante prende o leitor até o fim do caudaloso romance (são mais de 700 páginas).

Fonte: Folha de São Paulo (Matéria completa aqui)

terça-feira, 26 de agosto de 2014

‘Vivemos a era de ouro da ficção de crime’, diz Harlan Coben


Um dos principais best-sellers de mistério da atualidade, o americano Harlan Coben, que atraiu centenas de fãs para a Bienal do Livro de São Paulo no fim de semana, lança seu 16º romance no Brasil, “Seis anos depois”, pela Sextante.

Coben é um gigante literal e metaforicamente. Com quase 2 metros de altura, ele acaba de bater a marca de 1 milhão de livros vendidos no país. As estatísticas viraram gente, na manhã de anteontem, quando ele falou na Bienal para uma pequena multidão sobre a nova obra. Nela, o protagonista vai atrás da mulher que o deixou para casar com outro e descobre que o casamento havia sido uma farsa. Ele vai buscá-la, sem imaginar os perigos do ato. Em entrevista ao GLOBO, Harlan Coben fala da dificuldade de classificar a nova trama, conta por que não gosta de escrever histórias de serial killers e comenta as últimas polêmicas do meio literário.


Embora classificados como policiais, seus livros não têm crimes ou conspirações. Por quê?

Acho que chamam assim porque é preciso classificar o livro. “Seis anos depois” é mais uma história de amor que uma ficção de crime. Não me interesso por conspirações políticas ou serial killers. Prefiro histórias com as quais o leitor possa se identificar.

Com uma tradição tão longa, é possível manter o frescor da ficção policial?

Agatha Christie e Elmore Leonard escrevem ficção de crime e não são nada parecidos. Grandes autores tinham crimes em seus livros: Dostoiévski, Dumas, Dickens, entre outros. Mas acho que vivemos a era de ouro da ficção de crime. Ela nunca foi feita tão bem e com tanta variedade. Há autores homens, mulheres, americanos, britânicos, escandinavos... E temos que trabalhar duro para manter o frescor do gênero. Não pelo que foi escrito no passado, mas porque hoje competimos com outras mídias.

A Amazon e a editora Hachette têm brigado pelas condições comerciais de vendas de livros. Alguns autores se organizaram para apoiar a editora. Qual a sua posição nessa polêmica?

Sentar e esperar. Virei escritor porque não queria ir para um escritório, pensar em negócios, números. Sei que, quanto melhor eu escrever, melhor estarão meus livros (no mercado), porque as pessoas vão lê-los no papel, na tela ou numa tábua de pedra como a de Moisés. Não me sinto qualificado para me meter no assunto.

Hoje há o fenômeno da autopublicação. Você precisa de editor?

É isso que eu não entendo nessa polêmica. Se você quer se autopublicar, faça-o. Se você acha que os escritores estão sendo vilipendiados (pelas editoras), faça-o. Eu gosto de ter editor e não estou tentando convencer ninguém a ir para a minha editora. Não sei por que os outros se importam com quanto eu ou o Nicholas Sparks estamos cobrando pelos nossos livros. Faça seu livro e preocupe-se em como publicá-lo, não como eu publico os meus.

Você passou a escrever livros no gênero “jovens adultos”, que costuma ser criticado por falta de complexidade literária. O que você diria aos críticos?

Não leia. Tem uma resenha de um livro meu na Amazon que diz: “Esse livro deveria estar numa biblioteca de ensino médio”. Sim, deveria!

E sobre as críticas de que falta riqueza narrativa nesses livros?

Isso não faz sentido. Meu livro infantojuvenil é mais curto, mas provavelmente é mais sombrio que qualquer livro adulto que eu tenha escrito.

Você não deve mais precisar vir para eventos como a Bienal para vender livros. Por que vir?

Ajuda a vender o livro. E, se viajar é cansativo, é ótimo encontrar os leitores. Se há escritores que se sentem acima disso, só posso lamentar.

A ficção de mistério exige grande técnica. Você não comete erros?

Em um livro meu, um personagem costuma pentear o cabelo para a direita, no começo do livro, e depois para a esquerda, no fim dele. Com a internet, se você comete algo assim, você será avisado. Não gosto, mas não me preocupo muito. 

Fonte: O Globo (Matéria original aqui)

sábado, 23 de agosto de 2014

Estante Virtual oferece livros de Jorge Amado a preços populares

Em homenagem ao mês do escritor baiano, livraria online abre uma seção especial com suas obras; Há livros a partir de R$ 2


Para incentivar a leitura e celebrar a memória do escritor baiano Jorge Amado (Itabuna, 10 de agosto de 1912 — Salvador, 6 de agosto de 2001), a livraria online Estante Virtual abriu uma seção especial que, durante todo o mês de agosto, oferece as obras do autor com preços bastantes acessíveis: a partir de R$ 2. Entre as opções estão clássicos do acervo literário de Jorge, além de títulos pouco conhecidos e até raridades, a exemplo do álbum de autógrafos do ano de 1947, que traz textos manuscritos e autografados por ele e outros autores, a exemplo de Carlos Marighella. São 18 mil exemplares do autor disponíveis para os leitores. 

Jorge Leal Amado de Faria foi um dos autores mais importantes da literatura baiana e nacional. Um dos grandes representantes da intelectualidade comunista brasileira, que retratou como nenhum outro as peculiaridades do povo baiano e a magia da Bahia. Teve sua obra agraciada pelo Prêmio Camões, em 1994, e também recebeu muitos outros prêmios e títulos, ao longo da carreira. Seu maior reconhecimento, no entanto, veio dos leitores. Seus 49 livros sempre foram recordes de venda, ultrapassado apenas por Paulo Coelho. 

Suas histórias também ganharam versões para o cinema, teatro e televisão, a exemplo de 'Dona Flor e Seus Dois Maridos', 'Tenda dos Milagres', 'Tieta do Agreste', 'Gabriela - Cravo e Canela' e 'Teresa Batista Cansada de Guerra'. Até enredo de escola de samba sua obra virou. Tudo isso sem contar no número de traduções surpreendentes: 55 países e 49 idiomas, além do braille e versões gravadas para cegos.    

Em Salvador, seguem os preparativos para a instalação do Memorial Jorge Amado, que vai funcionar na Casa 33 da Rua Alagoinhas, no Rio Vermelho, onde viveu longos anos de criatividade e amor ao lado de Zélia Gattai.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

12 dicas para escritores iniciantes por George R. R. Martin

A época dessa entrevista em Novembro de 2013, George R.R. Martin esteve em Sydney no Opera House, para comentar mais uma vez sobre As Crônicas de Gelo e Fogo e aproveitou para dar algumas dicas para quem quer se aventurar pela escrita de fantasia, baseado em sua própria experiência. Mesclamos isso a algumas dicas tiradas da seção de perguntas frequentes do site oficial de Martin. Então abaixo seguem os doze mandamentos do Rei (olha a heresia) dos escritores de Fantasia da atualidade.


Ler e Escrever, sempre
Eu acho que, a coisa mais importante para qualquer aspirante a escritor, é ler. E não somente o tipo de coisa que você está tentando escrever, pode ser fantasia, ficção cientifica, quadrinhos, qualquer tipo de literatura. Você precisa ler de tudo. Leia a história, ficção histórica, biografias, leia novelas de mistério, fantasia, ficção cientifica, horror, os sucessos, literatura clássica, erótica, aventura, sátira. Cada escritor vai ter algo para ensinar a você, seja bom ou ruim. (E sim, você pode aprender com livros ruins também – o que não fazer).

escrever. Escreva todos os dias, mesmo que seja uma página ou duas. Quanto mais você escrever, melhor nisso você será. Mas não escreva no meu universo, no de Tolkein, no universo Marvel, de Star Trek ou em qualquer outro que você pegue emprestado. Cada escritor precisa aprender a criar seus próprios personagens, mundos e configurações. Usar o mundo de outro é o método preguiçoso. Se você não exercitar esses “músculos literários”, você nunca vai desenvolvê-los.

Comece aos poucos
Dada a realidade do mercado de ficção cientifica e fantasia atual, eu sugiro também que qualquer aspirante a escritor comece com histórias curtas, contos. Hoje me dia eu vejo muitos escritores novos tentando começar de cara com uma novela ou uma trilogia, ou até mesmo com uma série de nove livros. É como começar a escalar de cara pelo Monte Everest. Histórias curtas vão ajuda-lo a aprender seu ofício. Elas são o lugar certo para cometer os erros que todo escritor iniciante vai cometer. E são ainda o melhor caminho para um escritor iniciante aparecer, já que as revistas e coletâneas de contos estão sempre procurando por contos de fantasia e ficção cientifica. Uma vez que você tiver vendido esses contos por uns cinco anos, você terá construído seu nome e editores irão começar a lhe perguntar sobre seu primeiro romance.

Não há problema em pegar “emprestado” da História
Embora minha história seja de fantasia, é fortemente baseada em história medieval real. A Guerra das Rosas, que foi sobre os Yorks e os Lancaster ao invés dos Stark e dos Lannister, foi uma das maiores influências. Mas eu gosto de misturar e combinar e mover coisas ao redor. Como diz um famoso ditado, roubar de uma só fonte é plágio, mas roubar de muitas fontes é pesquisa!

Não limite a sua imaginação
Eu sabia desde o começo que eu queria uma história grande e complexa. Antes d’As Crônicas de Gelo e Fogo eu trabalhei na televisão por dez anos e sempre me deparava com um script de uma cena comum que eu escrevia, mas me diziam “George , isso é ótimo , mas é muito grande e caro, você precisa cortar algumas coisas. Você tem 126 personagens e só temos orçamento para seis”.

Quando eu voltei para a literatura, de repente não havia limites: Eu poderia escrever algo enorme, com todos os personagens que eu queria, com batalhas, dragões e imensos detalhes. Claro, eu pensei que isso seria infilmável e que eu nunca teria que me preocupar com Hollywood novamente. Mas isso é problema de David Benioff e Dan Weiss agora [produtores de TV de Game of Thrones].


Escolha os seus personagens com ponto-de-vista de forma a ampliar a narrativa
Minha história é essencialmente sobre um mundo em guerra. Ela começa muito pequena, com todo mundo no castelo de Winterfell, exceto Daenerys. É um foco muito apertado, e em seguida, conforme os personagens se separaram, cada personagem encontra mais pessoas e POVs adicionais entram em foco.

É como se você estivesse tentando fazer um romance da 2ª Guerra Mundial: você vai pegar apenas um soldado comum? Bem, isso só cobriria o cenário europeu , não o Pacífico. Você faz de Hitler um personagem com ponto de vista para mostrar o outro lado? E o lado japonês ou da Itália? Roosevelt, Mussolini, Eisenhower – todos esses personagens têm um ponto de vista único que representa algo enorme na 2ª Guerra Mundial.

Então, você pode ir a partir de uma estrutura de ponto de vista onisciente onde você está contando isso do ponto de vista de Deus, que é uma técnica literária bastante desatualizada, ou você tem um mosaico de pessoas que estão vendo uma pequena parte da história cada um, e através deles você pode obter toda a imagem. Esse é o caminho que eu escolhi usar.

Faça Pontos de Vista críveis
Em última análise, todos nós estamos sozinhos no universo – a única pessoa que cada um de nós realmente conhece profundamente, somos nós mesmos. Obviamente, eu nunca fui um anão ou uma princesa, então quando eu estou escrevendo esses personagens eu tenho que tentar e conseguir entrar em sua pele e ver como seria o mundo de sua posição. Nem sempre é fácil.

Uma parte disso pode ser conseguido falando com pessoas reais. Eu me correspondia com um fã que era paraplégico quando eu estava escrevendo o primeiro e o segundo livros. Ele me deu um monte de informações valiosas sobre como escrever sobre Bran e como seria estar nessa situação.

Mas, ultimamente, eu acho que a humanidade que todos os meus personagens compartilham é mais importante do que se são homens ou mulheres, princesas ou camponeses, altos ou pequenos. Enquanto estas coisas certamente fazem diferença, todos os tipos de seres humanos em todas as culturas ao longo da história têm desejado sucesso, amor, uma certa dose de prosperidade, conseguir comer e não ser morto. Estas são coisas muito básicas que motivam todas as pessoas e tento manter isso em mente ao escrever qualquer personagem.

A Dor é uma ferramenta poderosa – mas não exagere
Apresentar a dor é algo difícil de fazer. Anos atrás eu escrevia para um programa de TV chamado A Bela e a Fera, estrelado por Ron Perlman e Linda Hamilton. Linda deixou o show após a segunda temporada para seguir uma carreira no cinema, por isso, decidimos retirar o personagem da história ao invés de substituir a atriz, porque era mais dramático. Tivemos a personagem morta e isso levou a uma grande briga com a rede [o canal].

Queríamos passar um episódio inteiro em que a personagem estaria enterrada e todo mundo passaria 60 minutos chorando e lamentando e compartilhando suas lembranças sobre ela. Mas a rede não queria que mostrássemos nada disso. Eles disseram “o personagem está morto, você precisa seguir em frente e apresentar uma nova Bela. Nunca mais vamos mencionar o nome de seu personagem novamente”. Toda a sala de escritores ficou horrorizada com isso. Era para ser uma história de amor pelas eras, ele não ia simplesmente esquecê-la e seguir para a próxima Bela.

Nós meio que ganhamos a batalha, mas perdemos a guerra. Apresentamos o episódio [como queríamos] e foi muito poderoso. Acho que nossos fãs mais incondicionais assistiram, derramaram muitas lágrimas e depois nunca mais assistiram a série de novo! A mágoa, o sofrimento, não necessariamente se traduz em valor de entretenimento. Dito isto, faz mais poderosa a narrativa. Apresentar não apenas a morte, mas a dor é importante. Em algum momento, todos nós experimentamos a perda de nossos pais, ou irmão ou amigos próximos e é uma emoção muito poderosa.

Violência deve ter consequências – então não poupe ninguém!
Se você pretende escrever sobre guerra no estilo medieval, você precisa mostrar isso – todas essas espadas não são apenas para enfeite. Você deve apresentá-lo honestamente em toda a sua feiura e horror. Batalhas medievais eram excepcionalmente sangrentas, as pessoas basicamente acertavam umas as outras com pedaços grandes, muito afiadas de metal que arrancavam membros e deixavam lesões horríveis e devastadores. Na Batalha de Hastings há relatos contemporâneos de um verdadeiro banho de sangue (estima-se que somando os dois lados haviam 17000 soldados e fora os feridos teriam morrido cerca de 6.000, tudo isso em uma manhã). Eu gosto de mostrar as consequências críveis da guerra, como o homem aleijado, que viveu depois.

Curiosamente, na série, eles mataram uma certo número de personagens menores que ainda estão vivos nos livros, como as duas servas de Daenerys. Quando perguntei [aos produtores] sobre isso, eles me explicaram que ao contrário dos meus personagens nos livros, os atores esperam ser pagos em dinheiro! Portanto, a fim de introduzir um novo personagem no início de cada temporada, eles têm que matar alguns dos antigos personagens para ter folga [no orçamento].

Evite clichês de fantasia
Eu amo fantasia e tenho lido durante toda a minha vida, mas eu também sou muito consciente de suas falhas. Uma das coisas que me deixa louco é a exteriorização do mal, onde o mal vem do “Senhor das Trevas” que está sentado em seu palácio escuro com seus asseclas sombrios onde todos se vestem de preto e são muito feios. Eu deliberadamente brinquei com isso. Veja a Patrulha da Noite, eles mesmos estão cheios de ladrões, saqueadores e estupradores, e são pessoas heroicas – mas todos eles se vestem de preto. E depois há os Lannister que são bonitos e justos, mas não são as pessoas mais simpáticas da história.

Na fantasia simplista, as guerras são sempre plenamente justificadas – você tem as forças da luz que lutam contra uma horda escura que querem espalhar o mal sobre a terra. Mas a história real é mais complexa. Há uma grande cena em Henrique V de William Shakespeare, em que Henrique vai andando entre os seus homens disfarçado na véspera da batalha de Agincourt, e alguns deles estão questionando se a causa do rei é justa ou não, e lamentando todas as pessoas que vão morrer para apoiar a sua reivindicação. Essa é uma pergunta válida. Então você tem a Guerra dos Cem Anos, que era basicamente uma briga entre famílias que mandou gerações inteiras para o matadouro. Então, eu tento mostrar isso no que escrevo.

Criando personagens “cinza”
Personagens cinza [nem bons, nem maus] sempre me interessaram mais e eu acho que o mundo está cheio deles. Eu li um monte de História, e eu não achei nenhum personagem puramente heroico ou puramente mau. Você pode escolher os exemplos mais extremos – Hitler era famoso por amar cães. Stalin, Mao, Genghis Khan, os grandes assassinos em massa da história eram todos heroicos sob seus próprios olhos. Por outro lado você pode ler histórias sobre todos os santos da história católica e Madre Teresa ou Gandhi e você pode encontrar coisas e ações sobre eles que eram erradas ou questionáveis , mas que eles fizeram.

Somos todos cinza e eu acho que todos nós temos a capacidade de fazer coisas heroicas e coisas muito egoístas. Eu acho que compreender isso é a chave para você criar personagens que realmente têm alguma profundidade neles. Mesmo quando eu estou escrevendo Theon Greyjoy, que é alguém que muitas pessoas odeiam, eu tenho que tentar ver o mundo através de seus olhos e dar sentido ao que ele faz.

Gerenciar muitos personagens requer habilidade – e sorte
Eu às vezes me pergunto se será possível amarrar todos os fios soltos na minha saga. Tenho pesadelos quando eu penso sobre tudo se juntando nos últimos dois livros. Acho que posso fazer isso, mas vamos ver quando eu chegar ao fim. Às vezes, esses personagens malditos tem uma mente própria e se recusam a fazer o que eu quero que eles façam. Eu acho que nós vamos saber se tudo vai funcionar em uma década mais ao menos!

Lembre-se: O inverno está chegando
Valar Morghulis – Todos os homens devem morrer. Eu acho que a consciência de nossa própria mortalidade é algo que diz respeito mais a arte e a literatura. Mas eu não acho que isso se traduz, necessariamente, em uma visão de mundo pessimista. Assim como no mundo real, meus personagens estão aqui apenas por um curto espaço de tempo. O importante é o amor, a paixão, a empatia, o riso, até mesmo rir na cara da morte, se for possível. Há trevas no mundo, mas não podemos dar lugar ao desespero. Um dos melhores temas de O Senhor dos Anéis é que o desespero é o crime supremo. O inverno está chegando, mas você pode acender as tochas e beber vinho e se reunir ao redor do fogo e continuar a lutar por um bom combate.
Mas seja lá o que você fizer, no entanto… Boa sorte. Você vai precisar.

E então? Está pronto para começar sua própria saga? Interessante que “leve todo o tempo do mundo para escrever seu livro” e “não se desespere se seus fãs não te deixarem em paz” não foram citados como conselhos, mas a gente releva.

Matéria original aqui!


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Com preços abaixo do mercado, chegada da Amazon com livros físicos preocupa concorrência


O anúncio da chegada da Amazon ao Brasil com a venda de livros físicos (os e-books já eram comercializados no país pela major desde 2012) fez brilhar os olhos dos consumidores pelas promessas de preços baixos, frete grátis em compras a partir de R$ 69 e o inovador “Leia enquanto enviamos”, em que o consumidor tem acesso a 10% do conteúdo em formato digital durante a espera pela chegada do livro. Ao entrar no ar, nesta quinta-feira, além de uma mensagem de boas-vindas, o site da Amazon já oferecia atrativas ofertas, abaixo do valor cobrado pelas tradicionais Saraiva, Livraria da Cultura e Livraria da Travessa, o que despertou um alerta por parte dos concorrentes.

— Certamente preços muito baixos na concorrência podem prejudicar o mercado. No médio prazo, o leitor vai ver a diversidade hoje disponível abalada, terá a sua liberdade de escolha atingida. — diz Roberto Guedes, diretor da carioca Travessa, explicando como pretende enfrentar a concorrência. — Prefiro não nos comparar, até porque existem outras ótimas livrarias no Brasil, mas destacaria com orgulho nossa curadoria, ambiente, qualidade de atendimento. Nosso lema é “aqui é o leitor quem escolhe os livros”. Manteremos o que nos tornou o que hoje somos: seleção criteriosa e plural de estoque.

Alguns preços chegam a variar 123% entre as livrarias, como é o caso de "A tormenta de espadas. As crônicas de gelo e fogo - Volume 3" (Leya), de George R. R. Martin. Na Amazon, um exemplar custa R$ 24,60, enquanto na Saraiva sai por R$ 25,90, na Cultura por R$ 54,90 e na Travessa por R$ 43,37. No topo da lista de mais vendidos de ficção está “A culpa é das estrelas” (Instrínseca), de John Green, que ganhou adaptação para o cinema. Nas prateleiras da Amazon ele sai por R$ 17,90, já na Saraiva por R$ 19,00, enquanto na Cultura por R$ 29,90 e na Travessa por R$ 23,62.

Fonte: O Globlo (matéria completa aqui)


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Pitty lança livro com fotos do começo da carreira até hoje


Novidade boa para os fãs da Pitty. A roqueira anunciou em suas redes sociais o lançamento do seu livroCronografia: uma trajetória em fotos, um relato visual da sua carreira, desde o início até hoje. Uma biografia em fotos, a coletânea propõe um passeio por todas as fases da cantora baiana e traz, além de registros fotográficos, textos da própria Pitty, relembrando histórias e momentos marcantes de sua vida.

"Tenho trabalhado há uns anos num lance e hoje eu posso contar e compartilhar com vocês. Querem saber? Estou lançando um livro de fotos da carreira, do comecinho até hoje. Chama-se 'Cronografia: uma trajetória em fotos' e está em pré-venda. Que legal que curtiram. Podem espalhar por aí", escreveu a cantora em seu Twitter. Livro chegará oficialmente às lojas no dia 2 de setembro.


De acordo com a sinopse, "o livro começa na infância, com fotos pessoais da pequena Priscila se divertindo junto com a família nas praias de Salvador. Depois mostra o início da sua vida na música, ainda adolescente fazendo punk rock/hardcore nas bandas Inkoma (como vocalista) e Shes (como baterista)". O início da carreira solo e o projeto Agridoce também estão documentados no livro de 160 páginas.

Bruxa cantora de 'Harry Potter' ganha biografia por J.K. Rowling


J.K. Rowling surpreendeu mais uma vez os fãs da saga Harry Potter. Depois de voltar a retratar o bruxinho e seus melhores amigos, Rony e Hermione, já adultos em um conto publicado em julho no seu site Pottermore, a autora decidiu dar uma chance a uma personagem que apareceu pouco em sua série de livros. Em novo texto, também divulgado no Pottermore, a bruxa cantora Celestina Warbeck, citada algumas vezes nos livros de Harry Potter, tem sua biografia narrada por JK.

No texto, JK Rowling esclarece algumas dúvidas sobre o início da carreira da personagem, considerada "uma sensação internacional da música". Além do texto biográfico, a escritora divulgou uma das músicas mais famosas da cantora, You Stole my Cauldron but You Can't Have My Heart (Você roubou meu caldeirão, mas não pode ter meu coração, em tradução direta).

A autora já chegou a afirmar que Celestina era uma de suas personagens favoritas no quesito “sem ação” da saga. Celestina é citada na série pela mãe de Rony, Molly Weasley, como uma de suas cantoras preferidas do mundo bruxo.


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Autor de ‘Os imperfeccionistas’ lança novo romance


Era 1988 e Tooly Zylberberg tinha 9 anos quando foi raptada por três estranhos em Bangcoc. Em 1999, ela vivia de pequenos golpes em Nova York. Doze anos depois, Tooly é dona de uma livraria no País de Gales e recebe uma mensagem informando que seu pai está morrendo nos EUA. O segundo livro do escritor anglo-canadense Tom Rachman é um quebra-cabeça da vida dessa jovem, que decide viver offline no limiar do século XX para o XXI. “The rise & fall of the great powers” (“Ascensão & queda das grandes potências”, em tradução livre) chega às livrarias inglesas quatro anos após o primeiro romance de Rachman, “Os imperfeccionistas” (Record), que colheu elogios ao narrar a vida de um grupo de jornalistas e que, agora, está sendo adaptado para virar seriado da BBC. Tanto na história anterior quanto na nova, que sai no Brasil em 2015, também pela Record, Rachman parte de uma trama simples, mas recheada de questões contemporâneas, como direito a privacidade e anonimato no mundo virtual.

Envolvido com a adaptação de “Os imperfeccionistas” e já trabalhando num terceiro livro, Rachman falou ao GLOBO em Londres. Ex-editor do “International Herald Tribune” e ex-repórter da agência Associated Press, o autor, de 40 anos, falou da necessidade de se desconectar para ser criativo e da onda nostálgica que ele acredita estar assolando a Humanidade.

Você acha que ainda há muitas pessoas que optam por ser tão desconectadas e distantes do mundo virtual como os protagonistas do livro?

Elas só existem em livros (risos). Acho que há pessoas optando por limitar o tempo que passam on-line, sim, buscando formas de viver com o mínimo e ter períodos de completo afastamento do mundo virtual. Mas algo tão radical é extremamente difícil para quem quer uma vida normal. Na verdade, é muito difícil se livrar dessas coisas, mesmo que você queira. Há várias indústrias bilionárias no mundo da tecnologia que vivem exclusivamente para descobrir formas de satisfazer os interesses das pessoas. Elas trabalham para que estejamos sempre checando alguma coisa. É obviamente uma reação animal: você fica excitado a cada nova mensagem e está condicionado a reagir dessa maneira. Progressivamente fica mais difícil se livrar dessa realidade. Todo mundo está mais agitado e distraído, e é cada vez mais difícil se concentrar. Sendo possível, acredito que é uma boa ideia controlar a extensão com que deixamos nossas vidas se dissolverem na internet.

Um dos temas do livro é a relação dos personagens com seus passados. Nossas escolhas e ações são registradas o tempo todo na internet e por câmeras de seguranças nas ruas. Pode-se viver fora dessa vigilância?

Até determinado ponto, sim. Deve ser uma escolha feita de forma bastante consciente. Se uma pessoa não age para controlar como as mídias digitais estão presentes em sua vida, ela pode ser totalmente dominada. Pois elas são extremamente sedutoras. Afetam a gente da mesma forma que o uísque afeta um alcoólatra. Se você sabe que possui essa fraqueza, e todos nós possuímos, então não tenha muito uísque em casa. Não estou sendo radical e recomendando cortar todas as ligações com a tecnologia. Há várias coisas ótimas que compõem esse universo, mas acho que é melhor ter algumas taças de vinho do que mandar uma garrafa inteira para dentro de uma vez só.

A protagonista tem diferentes perspectivas de sua vida e da História à medida que conhece pessoas. A internet vai ajudar futuras gerações a ter uma perspectiva mais ampla da História?

Pense na Wikipédia, por exemplo. As pessoas a usam como fonte básica de conteúdo. É apenas uma fonte, então você pode pensar: “Bem, no futuro, todos vão concordar muito mais pois há uma referência básica em comum”. Mas, até aqui, apesar de toda a onipresença da mídia digital, tenho a impressão de que as pessoas não estão com opiniões mais unificadas e compartilhando uma mesma percepção da História. Estamos mais divididos. No momento, a internet concentra pontos de vista semelhantes em pequenos grupos. Se você acredita que o homem nunca pisou na Lua e foi tudo conspiração, você vai encontrar várias informações on-line comprovando que você está certo. As pessoas tendem a preferir perspectivas que comprovem informações nas quais já acreditam. E a internet é perfeita para isso. Mas as pessoas também podem ter acesso a informações que vão permitir outro ponto de vista. É difícil prever o que vai acontecer. No fim, talvez o problema seja que os usuários são seres humanos, sempre falhos, apesar da evolução em suas tecnologias.

A quantidade de informação que temos não vai ajudar a esclarecer eventos como os que acontecem, por exemplo, na Faixa de Gaza ou na Ucrânia?

Acho difícil. Mesmo as informações que temos agora dão várias perspectivas. Se você olhar para o conflito entre Israel e Palestina, ninguém concorda em relação ao que está acontecendo. Então, imagine no futuro. É difícil esperar a existência de uma compreensão objetiva de quem estava certo ou errado. A História sempre foi composta por dois lados. De um, os fatos objetivos: o Holocausto aconteceu e o homem foi à Lua. Você encontra evidências para eles. De outro, o lado moral da História, e as pessoas geralmente estão em busca dele, das lições, de quem estava errado ou certo, dos culpados, daqueles que precisam pagar e dos que devem ser beneficiados por ter sofrido. Infelizmente, os motivos fazem com que as pessoas distorçam os fatos. Os seres humanos são tão dispostos a manipular que acho difícil pensar que no futuro será melhor. Temos registros filmados do avião acertando a segunda torre do World Trade Center, e eu garanto para você que muita gente ainda acha aquilo falso. Há quem acredite que os prédios não caíram e foi tudo uma invenção. Se não acreditam hoje, imagina daqui a 50 anos.

O livro também fala da relação com o presente. Como alguns personagens, tendemos a achar o passado melhor. A tecnologia pode combater a nostalgia?

Mesmo antes desse período tecnológico que vivemos, as pessoas sempre tiveram o passado como referência. Mas hoje há uma obsessão com o retrô. Você vê pessoas com estojos de iPad semelhantes a fitas cassete. Acredito que a nostalgia só tende a crescer, pois as mudanças estão tão aceleradas que coisas novas logo parecerão antigas. Por isso acho que haverá uma forma ainda mais intensa, afetuosa e apaixonada de nostalgia. Quanto mais rápido mudarmos, mais nostalgia.

Personagens do livro falam que é melhor viver como observador e não se envolver. Hoje há uma cobrança por posicionamentos e opiniões?

Provavelmente sim, mas talvez no passado apenas não houvesse tantos canais para as pessoas se expressarem. Quando tratamos de egocentrismo, acho que é uma verdade fundamental que a maioria está interessada apenas em si mesma. Acredito que estamos programados a agir dessa forma pois, se não, vamos acabar morrendo. E hoje, pelo menos no Ocidente, a crença na meritocracia nos permite acreditar que qualquer um pode ser bem-sucedido. Isso é um mito, não é todo mundo que consegue ter sucesso, mas a ideia persiste. E, para muitos, a solução é engrandecer a existência escrevendo sobre ela no Facebook ou no Twitter. Ao mesmo tempo, acredito que, lá no coração dessas pessoas, está claro que elas só tem 400 seguidores, enquanto outras têm muito mais.

Seu primeiro livro foi sobre um jornal impresso, e o segundo é sobre livros. Você está registrando a luta pela sobrevivência da mídia impressa?

Sim, pensei nisso (risos). A lógica cultural está mudando e dificultando a existência da mídia impressa. Jornais ainda existem, jornalismo definitivamente continua a existir, e livros e livrarias também. Mas o lugar deles na nossa cultura está mudando. Costumo variar entre o otimismo e o pessimismo. Acho que os livros tendem a sobreviver melhor, pois informações rápidas e triviais são consumidas de forma muito mais rápida pela internet. Em um mundo tão acelerado, com atualizações constantes e coisas apitando e piscando o tempo todo, você consegue se desligar? Talvez os livros continuem importantes, pois nos farão desconectar. A indústria editorial está em busca de formas de sobreviver digitalmente, e muitas entram em choque com a essência do livro. Por exemplo, e-books com links apenas acabam com o efeito que o livro possui. Não há nenhum outro exercício cultural que exija 25 ou mais horas de pura concentração e envolvimento, que demande tanto da sua mente por um período tão longo. Música, filmes e outros podem afetar tanto ou até mais, mas são experiências diferentes. Acho que a profundidade de atenção exigida por um livro é muito significativo e uma alternativa a nosso modo de vida. Mas não sei se isso torna a existência dos livros ainda mais ameaçada ou uma esperança. Só nos resta torcer.

Você também está falando do livro como objeto físico, certo?

Sim. Escrever, para mim, é o reflexo de uma leitura, requer atenção prolongada. Quando escrevo, uso um programa chamado Freedom, que corta a minha internet. Muitos escritores usam. Quando vocês está entediado, a primeira coisa que faz é olhar e-mails ou notícias. Mas os momentos mais criativos são quando você está no ponto de ônibus, sem celular, apenas esperando. Ou quando está lavando a louça. Você processa as informações, fica quase vazio, e as ideias chegam. Esse estado é o primeiro passo para escrever algo interessante. Você ainda não tem uma história, mas está no caminho, entre o tédio e a criatividade. Também é um processo estressante, pois você se pressiona, questiona seu trabalho. É tentador abrir o e-mail, mas você não pode, precisa continuar... Acho incrível a sensação quando ligo o Freedom. O programa me pergunta quanto tempo quero. Geralmente coloco 180 minutos, e ele pergunta: “Tem certeza?”. Sim. Então, experimento uma mudança quase fisiológica: tudo fica mais sereno e me sinto aliviado. Aí produzo bastante, os 180 minutos passam, o programa me avisa, eu nem percebo e sigo trabalhando. Consigo desligar e é maravilhoso.

Fonte: O Globo 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Vocalista da banda Nenhum de Nós lança livro de crônicas e poesia


O que você faz com suas noites de insônia? O cantor e compositor Thedy Côrrea, vocalista da banda Nenhum de Nós, as transformou em poesia e lançou o livro 'Noite Ilustrada', pela editora Belas-Letras. Em 127 páginas, o escritor fala sobre seus medos, frustrações, rotina, desejos e também do futuro. Esse é o terceiro livro da carreira do músico.

Matéria-prima da criação de Thedy, a insônia só ajudou o artista a dar ritmo e métrica aos seus versos. "Cada um desses poemas-textos poderia ser uma canção", afirmou Marcia Tiburi, que escreveu o prefácio do livro. A artista plástica e escritora diz que existe uma linearidade na poesia de Côrrea, como se ela contasse uma história tentando ganhar a atenção do leitor.

Os dois primeiros livros lançados por Thedy Côrrea foram publicados pela editora L&PM e se chamaram: 'Bruto' (2006), de poesia, e 'Livro de Astro-Ajuda' (2010), que reuniu crônicas do escritor.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Best-seller da literatura erótica, Sylvia Day anuncia turnê pelo Brasil


Conhecida pelos best-sellers eróticos da série "Crossfire" ("Toda sua”, "Profundamente sua" e "Para sempre sua"), a escritora americana Sylvia Day vai fazer uma turnê pelo Brasil, informou a editora Universo dos Livros.

Entre 27 de agosto e 6 de setembro, estão previstas sessões de autógrafos em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador e Curitiba.

Frequentemente comparada a E.L. James (de "Cinquenta tons de cinza"), Sylvia se enquadra na categoria que o jornal americano "The New York Times" batizou de "pornô para mamães". Elas geralmente criam histórias recheadas de cenas de sexo entre um homem rico e dominador e uma jovem ingênua.



Editora Sextante compra metade da L&PM

Ivan Pinheiro Machado, um dos fundadores da L&PM

A editora carioca Sextante anunciou a compra de 50% da gaúcha L&PM nesta quinta-feira. Fundada por Paulo Lima e Ivan Pinheiro Machado, a L&PM completa 40 anos em 24 de agosto deste ano e é a líder do mercado de livros de bolso no Brasil. O valor da operação não foi divulgado, mas Pinheiro Machado disse em comunicado que "o maior objetivo desta união é o fortalecimento da L&PM para que possamos conquistar ainda mais espaço e poder de competitividade no mercado brasileiro".

No comunicado divulgado à imprensa, Marcos da Veiga Pereira, da Sextante, explica que o interessa na aquisição partiu "de uma afinidade e da capacidade que a L&PM tem de ser acessível tanto em distribuição quanto em preço, o que vai ao encontro dos nossos valores”. Tomás da Veiga Pereira, sócio e irmão de Marcos, aponta que os livros de bolso foram determinantes para o negócio.

A L&PM tem mais de 1,5 mil livros ativos em catálogo e uma logística de distribuição com três mil pontos de venda. Além disso, publica autores como Moacyr Scliar, Mario Quintana, Mauricio de Sousa, Millôr Fernandes, Agatha Christie, Jack Kerouac, Charles Bukowski e Pablo Neruda. Como parte das comemorações de aniversário de 40 anos, a L&PM lança três livros de Martha Medeiros em agosto: Felicidade Crônica, Paixão Crônica e Liberdade Crônica, que marcam os 20 anos da autora como cronista.




quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Boneca Emília ganha biografia 'não autorizada'

 

Emília era muda e começou a falar. Ela não tem coração — literalmente — e se casou por interesse, só porque queria ser marquesa. Torce pelo Palmeiras, pesa cinco quilos, só teve um emprego na vida e pratica bullying contra os moradores do Sítio do Picapau Amarelo. Sua dona, Narizinho, a define assim: algodão por fora, asneira por dentro. Dona Benta, mais doce, diz que ela é “uma fadinha” que anda pelo mundo fantasiada de boneca de pano. Espevitada, tagarela, atrevida — politicamente incorreta, por vezes —, a personagem de Monteiro Lobato (1882-1948) entrou para o imaginário brasileiro a ponto de parecer ter vida própria. Tanta vida própria que acaba de ser radiografada em um livro, “Emília — Uma biografia não autorizada da Marquesa de Rabicó” (Casa da Palavra), no qual a cearense Socorro Acioli revê toda a obra de Lobato para narrar a trajetória da personagem — mais agitada que a de muita gente de carne e osso, diga-se.

— A minha dissertação de mestrado (na Universidade Federal do Ceará) foi sobre a leitura na obra de Monteiro Lobato. Aí resolvi incluir um capítulo que fosse uma biografia da Emília, e para isso reli todos os livros dele marcando as passagens com ela — conta Socorro, que suprimiu os trechos mais acadêmicos para publicar o livro, reunindo aventuras e curiosidades sobre a boneca.

Por exemplo: Emília tem data e local de nascimento — e esse lugar não é o Sítio do Picapau Amarelo, onde ela foi confeccionada por Tia Nastácia. A boneca nasceu da pena de Monteiro Lobato em São Paulo, na Rua Boa Vista 52, em algum dia de 1920. É o ano de escritura de “A menina do narizinho arrebitado”, que depois Lobato lançaria com o título “Reinações de Narizinho”. Nasceu muda, como os leitores sabem, e só disse a primeira frase — “Que gosto horrível de sapo na boca!” — depois de tomar uma pílula falante no Reino das Águas Claras. Não parou de falar nunca mais.

Às vezes, falou até demais. Não à toa, é ela o pivô das acusações de racismo que seu criador tem sofrido ao longo dos anos, ao chamar Tia Nastácia de “beiçuda” e “macaca de carvão”, entre outras ofensas. Mas a “biografia” não fala desse lado B de Emília. E Socorro Acioli se justifica:

— Quis focar o trabalho na análise de construção de personagem. Lobato conseguiu o máximo com Emília em 24 livros, é uma aula para qualquer escritor ou roteirista — afirma a autora. — Não faço de conta que isso (o racismo) não existe, mas não quis tratar de questões laterais. E há um momento em que Emília diz que criticar Tia Nastácia é como criticar a ela mesma. Considero isso uma metáfora do que nós brasileiros somos.

Monteiro Lobato, nas cartas pesquisadas por Socorro Acioli, contava ter perdido o “controle” sobre a personagem. “Ela me entra nos dois dedos que batem as teclas e diz o que quer, não o que eu quero. Cada vez mais Emília é o que quer ser, e não o que eu quero que ela seja. Fez de mim um ‘aparelho’, como se diz em linguagem espírita”, escreveu o autor, em 1943, ao amigo Godofredo Rangel.

A pesquisa de Socorro questiona pormenores que não chamariam a atenção do leitor mais desatento. Já percebeu que Emília nunca pegou doença de gente? A explicação é dada pela própria boneca: “Eu sou de pano e as doenças não penetram o meu corpo. Sabe por quê? Porque o pano é uma peneirinha que coa a doença...”. Com seus olhos feitos de retrós, ela vê melhor do que qualquer pessoa do Sítio e se diz capaz de achar uma pulga na Ursa Maior. Boneca de pano come? Tem horas em que ela diz que não — e sente inveja dos humanos —, mas isso não a impede de comer croquetes no Reino das Águas Claras.